O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou hoje (15) que pessoas como o ex-presidente do Uruguai José Pepe Mujica “não morrem”, uma vez que as ideias delas permanecem.
O petista fez um pronunciamento à imprensa após participar, em Montevidéu, do velório do líder esquerdista, que morreu na última terça-feira (13) aos 89 anos. José Mujica tinha um câncer que se espalhou por outros órgãos do corpo.
Lula destacou a trajetória de Mujica – a quem classificou como um “ser humano superior” – e lembrou o período que o uruguaio ficou preso e foi torturado.
“O que é gratificante para nós seres humanos é que uma pessoa como Pepe Mujica não morre. Se foi o corpo dele, a carne dele se vai, mas as ideias que Pepe Mujica plantou em todos esses anos, inclusive, a generosidade de um homem que passou 14 anos no cárcere e que conseguiu sair para a liberdade sem nenhum ódio das pessoas que o aprisionaram, o torturaram. Isso é uma dádiva de Deus”, afirmou Lula.
O petista afirmou que sua ida ao velório foi para se despedir de uma das pessoas que aprendeu a respeitar “como poucas vezes respeitou alguém”.
Ligações com extremismo
Antes de ser presidente, Mujica foi membro do Movimento de Libertação Nacional – Tupamaros, um grupo guerrilheiro marxista que atuou nos anos 60 e 70 no Uruguai. Ele participou de ações armadas, como assaltos e sequestros, e passou mais de uma década preso.
Embora ele mesmo tenha feito autocríticas e a sociedade uruguaia tenha em grande parte superado esse passado, setores mais conservadores ainda o associam ao extremismo e à violência política.

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