A deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), condenada a 10 anos de prisão pela invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), afirmou em pronunciamento à imprensa, hoje (15), que não colocaria o mandato em risco por uma “brincadeira sem graça”. “Não iria de forma alguma brincar de fazer invasão ao CNJ, brincar de mandar prender o Alexandre de Moraes, ainda mais assinado pelo próprio Alexandre de Moraes. É tão ridículo que realmente, como disse a ministra Carmen Lúcia e o ministro Alexandre de Moraes, seria burrice. Eu não colocaria meu mandato em risco por causa de uma brincadeira sem graça”, disse Zambelli.
A parlamentar também reiterou que “as acusações não são sólidas” e que não há provas que justifiquem sua sentença.
Por unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Zambelli e o hacker Walter Delgatti ontem (14) pelos crimes de invasão de dispositivo informático e falsidade ideológica. Ainda cabe recurso da decisão, portanto as penas só serão aplicadas após o trânsito em julgado. Caso confirmada, a Câmara dos Deputados deverá declarar a perda do mandato de Zambelli. A decisão também torna a deputada inelegível, conforme as normas da Lei da Ficha Limpa.
Carla Zambelli questiona versão do hacker
A parlamentar alegou que as acusações são frágeis e baseadas em depoimentos contraditórios de Walter Delgatti, apontado como o executor da invasão. Segundo ela, os próprios laudos da Polícia Federal indicam que o hacker sofre de mitomania, distúrbio que o leva a mentir compulsivamente.
“Sinceramente não sei o que motivou ele, mas acho que na maioria das vezes um hacker faz isso por vaidade. O porquê ele quis jogar isso em cima de mim até hoje a gente não sabe e muito provavelmente não saberemos”, afirmou.
A deputada mencionou, ainda, que irá respeitar eventual mandado de prisão, mas ressaltou problemas de saúde. Afirmou que sofre de depressão e toma medicamentos controlados. “Já tenho vários relatórios médicos que mostram que eu não sobreviveria na prisão”, disse.


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