Menos de 24 horas depois da chegada da influenciadora e advogada argentina Agostina Páez à província de Santiago del Estero, uma nova polêmica envolvendo a família ganhou repercussão local.
O pai dela, o empresário Mariano Páez, foi filmado durante a madrugada em um bar do centro da cidade fazendo gestos semelhantes aos de um macaco e dizendo que sente “asco pelo Estado”.
As imagens foram divulgadas por um site local e mostram o empresário em uma saída noturna acompanhado da companheira. Em determinado momento, ele grita e imita um macaco — o mesmo gesto que levou a filha a ser acusada de injúria racial no Brasil, após um episódio ocorrido em um bar no Rio de Janeiro.
Além desse vídeo, também circulou outra gravação em que o empresário afirma que foi ele quem pagou a fiança para que a filha responda ao processo em liberdade e que não recebeu dinheiro público.
Na gravação, ele diz: “Eu tenho asco do Estado. Não vivo da política. Sou empresário, milionário e agiota. E narco…”, afirma, cercado por outras pessoas.
De acordo com o jornal argentino “La Nación”, Mariano Páez afirmou, em entrevista, que os vídeos teriam sido criados com o uso de inteligência artificial. No entanto, minutos depois, sua filha publicou uma declaração nas redes sociais, distanciando-se das atitudes do pai e confirmando a autenticidade das imagens.
Em nota, Agostina afirmou que repudia e lamenta o comportamento do empresário.
“Eu assumo o que é meu: reconheci meus erros, pedi desculpas e enfrentei as consequências. Mas só posso responder pelas minhas próprias ações”, declarou.
A advogada encerra o pronunciamento afirmando que está em processo de reconstrução após dois meses difíceis e agradece o apoio recebido.
Relembre o caso
De acordo com o funcionário de um bar em Ipanema, a confusão começou após uma discussão por causa de um suposto erro na cobrança da conta. Para esclarecer a situação, ele foi conferir as imagens das câmeras de segurança e pediu para que a mulher aguardasse no local.
Foi nesse momento que, segundo o relato do funcionário, a turista passou a fazer xingamentos racistas. O homem decidiu gravar a cena e, nas imagens, a mulher aparece imitando gestos de macaco e fazendo sons do animal em direção a ele. Assim que tomaram conhecimento do caso, os agentes iniciaram as buscas para localizar a suspeita.
Em janeiro deste ano, a turista teve o passaporte apreendido por determinação da Justiça do Rio de Janeiro e como medida cautelar, passou a usar tornozeleira eletrônica. “Estou presa, com medo. No Brasil, o crime de discriminação e racismo é grave, é por isso que tudo isso acontece”, relatou a mulher ao jornal argentino Info Del Estero.
Na terça-feira (31/03), dois meses depois, o MPRJ (Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro) obteve a manutenção das medidas cautelares impostas à turista argentina. A decisão foi tomada pela 37ª Vara Criminal da Capital, onde tramita o processo decorrente de denúncia apresentada em fevereiro pela Promotoria de Justiça de Investigação Penal Territorial da Zona Sul e Barra da Tijuca.
Após um pedido feito pela Defesa de Agostina Páez, o TJRJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) concedeu um Habeas Corpus à argentina, permitindo que ela deixasse o país, mediante o pagamento de um caução no valor de R$ 97 mil.


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