A Procuradoria-Geral da República (PGR) comunicou nesta segunda-feira (15) ao Supremo Tribunal Federal (STF) que rejeitou a segunda proposta de delação premiada apresentada pela defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A análise da PGR seguiu o mesmo entendimento da Polícia Federal (PF). A segunda proposta de delação foi negada pela PF na semana passada.
Na avaliação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e dos procuradores que atuam no caso, a proposta não apresentou elementos novos em relação ao que a própria investigação já revelou. Além disso, a proposta não trouxe um comprometimento efetivo com a devolução de valores, um dos pontos centrais apontados pelo Ministério Público para o avanço das tratativas.
Crimes de Vorcaro
O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, responde por um rombo financeiro estimado em até R$ 52 bilhões, sob investigação da Polícia Federal na Operação Compliance Zero. O empresário cumpre prisão preventiva decretada pelo STF.
A Polícia Federal e os relatórios de comissões parlamentares apontam a prática de múltiplos crimes:
- Gestão Fraudulenta e Temerária: Emissão de títulos de crédito falsos (carteiras de crédito insubsistentes) para atrair investidores sem garantias reais e esconder prejuízos.
- Organização Criminosa: Estruturação do esquema em quatro núcleos ativos voltados para fraudes bilionárias, evasão de divisas e coação.
- Estelionato (Eletrônico e Previdenciário): Operações irregulares e venda casada de produtos financeiros abusivos contra beneficiários e aposentados do INSS.
- Lavagem de Dinheiro: Ocultação de recursos desviados passando por empresas de fachada e fundos de investimento. A PF investiga o uso desses valores na compra da SAF do clube de futebol Atlético-MG.
- Corrupção Ativa e Passiva: Infiltração em órgãos públicos e pagamento de propinas a servidores e agentes políticos para obter informações sigilosas.
- Crimes Cibernéticos e Espionagem: Invasão de dispositivos informáticos para monitorar adversários, derrubar perfis em redes sociais e rastrear investigadores.
- Milícia Privada e Coação: Uso de núcleos operacionais para promover ameaças, monitoramento clandestino e intimidação de testemunhas.


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