Mendonça pede íntegra de diálogos de Moraes e restringe acesso de Andrei

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal apresentasse a íntegra das mensagens e interações mantidas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro com integrantes de sua suposta rede de influência. A medida levou a PF a produzir um relatório de 218 páginas que reúne informações sobre contatos entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.

A decisão de Mendonça também estabeleceu uma espécie de compartimentação do material investigativo, restringindo o acesso da direção da Polícia Federal aos autos. Segundo a CNN Brasil, a medida foi interpretada nos bastidores como uma restrição ao acesso do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.

O episódio ocorre em meio ao aumento da tensão entre integrantes do STF e da Polícia Federal por causa da condução de diferentes investigações.

Mendonça determinou acesso à íntegra das mensagens

Segundo a reportagem de Matheus Teixeira, da CNN Brasil, Mendonça pediu à PF a íntegra de todas as mensagens e interações existentes entre Vorcaro e integrantes de sua chamada “suposta rede de influência”.

A determinação resultou na elaboração de um relatório policial que posteriormente chegou ao Supremo. O documento reúne mensagens, registros de encontros e outros elementos encontrados no celular de Daniel Vorcaro durante as investigações da Operação Compliance Zero.

Entre os materiais analisados estão conversas atribuídas a um contato identificado pela PF como sendo de Alexandre de Moraes.

O relatório também registra encontros presenciais entre Vorcaro e Moraes. De acordo com a PF, foram identificados indícios de pelo menos seis encontros entre os dois entre novembro de 2024 e agosto de 2025.

Andrei Rodrigues ficou fora do acesso aos autos

Na mesma determinação, Mendonça reforçou que os investigadores deveriam respeitar a chamada “compartimentação” das informações do inquérito.

Na prática, isso significou restringir o acesso da direção da PF aos autos do caso. A medida ganhou peso político porque ocorre em um momento de divergências entre Mendonça e o comando da Polícia Federal.

A relação entre o ministro e a cúpula da PF já vinha sendo marcada por discordâncias relacionadas à condução de outros inquéritos, o que aumenta a repercussão da decisão.

A restrição foi interpretada nos bastidores como um recado ao diretor-geral Andrei Rodrigues.

Relatório trouxe mensagens envolvendo Moraes

O material produzido pela PF passou a público após Mendonça retirar o sigilo da ação relacionada ao caso.

Entre os conteúdos estão mensagens de Vorcaro para um número atribuído a Moraes, além de registros relacionados a encontros entre o banqueiro e o ministro.

Uma das mensagens analisadas pela PF indica que Vorcaro teria perguntado a Moraes se deveria deixar o país pouco antes de sua prisão.

O relatório também menciona uma mensagem na qual o banqueiro faria referência à necessidade de obter “proteção” de “Andrei” e “Paulo”, identificados pelos investigadores como Andrei Rodrigues e Paulo Gonet.

A PF, entretanto, ressaltou que não realizou, até o momento, atos de aprofundamento investigativo direcionados especificamente a Moraes. O documento organiza elementos encontrados durante a investigação.

Caso deve ser analisado pelo plenário do STF

Mendonça afirmou que, independentemente da manifestação da Procuradoria-Geral da República, os novos elementos deverão ser levados ao plenário do Supremo.

O ministro defendeu que a análise seja feita de forma pública e presencial. A definição da data cabe ao presidente do STF, Edson Fachin.

A movimentação abre a possibilidade de os próprios ministros do Supremo discutirem o encaminhamento das informações que envolvem um integrante da Corte.

O cenário ganhou ainda mais tensão depois que Mendonça e Moraes tiveram uma conversa descrita por fontes como “direta, dura e ríspida”. Interlocutores, porém, negaram que o episódio tenha chegado a agressões físicas.

PGR contesta relatório da Polícia Federal

Outro ponto importante do caso é a posição do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, Gonet apresentou manifestação defendendo a nulidade e o arquivamento da apuração relacionada às mensagens. O posicionamento deverá ser considerado antes da definição dos próximos passos.

Com a retirada do sigilo e a possibilidade de análise pelo plenário, o caso envolvendo Mendonça e Moraes passou a representar mais um capítulo da crise institucional que se formou em torno das investigações relacionadas ao Banco Master.

Os próximos passos dependerão da análise dos ministros do Supremo e das decisões que serão tomadas a partir dos documentos reunidos pela Polícia Federal.

Fonte: Agora Notícias Brasil