Moraes cita Mendonça 52 vezes e contesta atuação do colega no caso Master

Moraes cita Mendonça 52 vezes e contesta atuação do colega no caso Master

O ministro Alexandre de Moraes entregou ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, uma manifestação de 44 páginas em resposta às suspeitas levantadas contra ele no caso Banco Master. No documento, Moraes concentra parte relevante dos argumentos em críticas à atuação do ministro André Mendonça, relator de processos relacionados ao caso.

A manifestação tem 121 tópicos e menciona Mendonça 52 vezes. Moraes acusa o colega de conduzir a apuração com motivação político-eleitoral e classifica o relatório da Polícia Federal como uma “farsa”. A expressão “desvio de finalidade político-eleitoral” aparece nove vezes no texto, segundo levantamento sobre o documento.

Investigação e suposta ocultação de processo

Um dos principais argumentos de Moraes é que Mendonça teria determinado, de ofício, uma investigação contra um ministro do STF. Segundo a defesa, não houve pedido da Polícia Federal ou da Procuradoria-Geral da República (PGR), nem autorização do plenário da Corte.

Moraes também questiona a forma como uma decisão teria chegado aos investigadores. De acordo com o documento, o material foi entregue em papel durante uma reunião no gabinete, sem assinatura.

Outro ponto envolve a Petição 15.625. O ministro afirma que Mendonça tinha conhecimento do procedimento desde maio, quando autorizou uma operação contra o perito João Cláudio Nabas e citou um arquivo chamado “Moraes.pdf”.

Segundo a manifestação, o processo permaneceu fora do conhecimento da Presidência do STF durante meses e também não teria entrado no levantamento geral de sigilos determinado por Fachin. Para Moraes, a sequência mostraria uma tentativa de obstrução da Justiça.

Moraes fala em calendário eleitoral e atuação da PF

Fachada do Supremo Tribunal Federal, em Brasília | Foto: Divulgação/STF

A defesa também relaciona a abertura da investigação ao calendário eleitoral. Moraes afirma que informações sobre o caso vazaram antes do 7 de Setembro e sustenta que a divulgação ocorreu em momento politicamente relevante.

Outro argumento acusa Mendonça de ter direcionado a investigação para confirmar uma hipótese previamente estabelecida. Moraes questiona ainda pedidos feitos pelo relator sobre dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.

O ministro também critica a atuação de Mendonça em relação à Polícia Federal. Segundo a defesa, o relator teria solicitado acesso ao material bruto das extrações, questionado a escolha de alvos e interferido na definição de medidas cautelares.

Moraes cita ainda supostas interferências nas negociações de delações premiadas. A defesa afirma que Mendonça teria questionado o andamento das tratativas e conversado com advogados de possíveis colaboradores.

Por fim, Moraes acusa o colega de adotar critérios diferentes em casos envolvendo outros ministros. A manifestação cita Dias Toffoli e Nunes Marques e também menciona o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.

A resposta foi apresentada às vésperas da sessão extraordinária do STF marcada para esta terça-feira, 15, quando a Corte analisa os desdobramentos das suspeitas envolvendo Moraes e Vorcaro.

Fonte: Revista Oeste