A morte de uma corredora na manhã de sábado (29), no Jardim de Alah, reacendeu o debate sobre os riscos cardíacos envolvidos na prática da corrida de rua, mesmo entre pessoas aparentemente saudáveis. Para o cardiologista Dr. Helder Reis, alguns sinais nunca devem ser ignorados durante um treino. Segundo o profissional, é fundamental interromper imediatamente o esforço diante de dor no peito, tontura, sensação de desmaio, falta de ar ou aceleração cardíaca fora do padrão habitual.
Dr. Helder explica que muitos problemas cardíacos evoluem silenciosamente. “Algumas doenças não dão sintomas e o esforço pode ser o gatilho para uma arritmia fatal”, afirma. Ele cita a miocardiopatia hipertrófica, principal causa de morte súbita em atletas abaixo dos 35 anos, e a doença aterosclerótica coronária, que acomete com mais frequência quem está acima dessa faixa etária. Inflamações no músculo cardíaco após viroses também podem desencadear arritmias graves. Para reduzir riscos, o especialista reforça a importância de avaliação com cardiologista, incluindo eletrocardiograma, ecocardiograma e teste ergométrico.
Sobre o atendimento inicial em casos como o registrado hoje, o cardiologista é direto: “A diferença entre viver e morrer está nos primeiros minutos”. Caso a vítima esteja inconsciente e sem respirar, a orientação é acionar o SAMU e iniciar imediatamente a massagem cardíaca, mantendo as compressões até a chegada do socorro. Se o socorrista for treinado, poderá também realizar as ventilações, conhecida como “respiração boca a boca”. O uso do desfibrilador automático (DEA) nos minutos iniciais é determinante, pois um choque pode reverter as principais arritmias da parada cardíaca.
O médico ressalta que a redução dos casos de morte súbita depende de um conjunto de ações: avaliações periódicas, mais DEAs em áreas de grande circulação de corredores, treinamentos de suporte básico de vida e melhor posicionamento das equipes médicas em provas de rua. “Não adianta ter o desfibrilador se ninguém sabe usar. E as equipes precisam estar estrategicamente distribuídas para chegar rápido a qualquer atleta”, conclui.
No último sábado (29), Thiana Biombo, de 44 anos, sofreu uma parada cardíaca enquanto participava de corrida de rua na orla de Salvador, no trecho do Jardim de Alah. Ela ainda foi socorrida por colegas e integrantes da Flash Assessoria Esportiva, incluindo alguns médicos que também participavam da corrida e levada ao Hospital da Bahia, mas não resistiu.


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