Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em parceria com a ONG More in Common, monitorou 7.456 cultos e missas transmitidos pelo YouTube nas duas semanas anteriores ao primeiro turno das eleições. O levantamento analisou mais de 3.800 horas de áudio de igrejas de diferentes denominações, incluindo a Assembleia de Deus de Pernambuco, a Assembleia de Deus Vitória em Cristo e a Igreja Batista da Lagoinha.
Segundo os dados divulgados pela Folha de S.Paulo, apenas 237 reuniões, o equivalente a 3,2% do total, apresentaram manifestações classificadas pelos pesquisadores como propaganda eleitoral. Os índices foram de 8,3% nos cultos da Assembleia de Deus monitorados, 1,4% nas igrejas batistas e 0,7% nas missas católicas.
Apesar do monitoramento em larga escala, os próprios números indicam que 96,8% dos cultos e missas analisados não tiveram falas sobre as eleições. O estudo também apontou que as menções de caráter cívico, com incentivo ao voto consciente e apelos contra a polarização, foram cinco vezes mais frequentes do que as indicações de voto. A pesquisa considerou propaganda eleitoral manifestações que promoviam ou criticavam candidaturas, incluindo pedidos explícitos de votos e bênçãos a candidatos ou campos políticos.
Os resultados levantam discussões sobre os limites entre liberdade religiosa, participação cívica e propaganda eleitoral, mas também mostram que manifestações classificadas como propaganda representaram uma parcela minoritária das reuniões religiosas monitoradas.
Fonte: Diário 360


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