O coronel da Polícia Militar de Goiás, Edson Luís Sousa Melo Rocha, conhecido como Edson Raiado, e o delegado da Polícia Civil Carlos Alfama, foram afastados de suas funções pela Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO), após trocarem acusações e ataques pessoais nas redes sociais.
A situação teve início na última sexta-feira (17/10), quando o coronel publicou um vídeo em seu perfil criticando a atuação de Alfama em investigações que envolveram policiais militares. O delegado respondeu, também por meio de vídeo, rebatendo as declarações e fazendo novas acusações contra o oficial.
Em nota conjunta, a SSP-GO, a Polícia Militar e a Polícia Civil confirmaram o afastamento temporário dos dois servidores e informaram que eles ficarão à disposição das respectivas corregedorias enquanto as condutas são apuradas. Segundo a secretaria, a decisão visa “preservar a integração entre as forças de segurança e garantir a efetividade no combate à criminalidade no Estado”.
Troca de acusações
Em um vídeo divulgado em seu perfil no Instagram, o coronel Raiado afirmou que suas críticas não se dirigiam à instituição Polícia Civil, mas sim ao comportamento de Alfama. Ele classificou o delegado como “puritano hipócrita” e o acusou de agir com “vaidade travestida de justiça”.
“Não estou aqui para atacar a Polícia Civil, pelo contrário. Mas respeitar a instituição não é se calar diante de quem mancha o uniforme ou desonra o sistema de justiça”, declarou o coronel. “O delegado Alfama optou por se manifestar quando não foi chamado. Já tentou incriminar policiais militares com base em suposições e pré-julgamentos indevidos. Isso é pura vaidade, Alfama. Vaidade travestida”, disse Raiado.
O coronel insinuou ainda que o delegado teria um histórico de conflitos internos e motivações políticas. “Pra mim, você não representa a Polícia Civil, nem os delegados sérios. Representa uma minoria ideológica que usa o distintivo para alimentar o ego. Enquanto você fala em cursinho, tem policial sangrando lá na rua para manter a paz”, afirmou o militar.
Em resposta, o delegado Carlos Alfama afirmou que o coronel ultrapassou limites ao divulgar trechos de interrogatórios oficiais conduzidos por ele e rebateu as acusações com tom igualmente incisivo: “Coronel, lave a sua boca para falar de mim. Lave a sua boca antes de colocar o meu nome na sua fala. Você é um personagem”, afirmou Alfama.
“Eu estou há quatro anos numa delegacia de homicídios, com mais de uma centena de homicidas presos. Enquanto isso, o senhor pedia licença para ser segurança de candidato a político. Sua competência é tão grande que o candidato levou uma cadeirada do Datena.”
O delegado também acusou o oficial de usar as redes sociais para autopromoção e de agir por motivações políticas: “Esse personagem que o senhor criou para ser digital influencer só engana paisano em rede social. Dentro da polícia, todo mundo sabe das suas aspirações partidárias. E, se o senhor tiver críticas ao meu trabalho, vá até a delegacia e fale comigo frente a frente.”
Alfama encerrou o vídeo afirmando que considera “vergonhoso” o fato de um delegado e um coronel “baterem boca em rede social”, mas reforçou que não deixaria de responder “ataques pessoais disfarçados de crítica institucional”.
A SSP-GO ressaltou que “tais condutas pontuais não abalam a integração entre as instituições”, reforçando o compromisso das forças policiais goianas com a manutenção da ordem pública e o respeito mútuo entre as corporações.
Fonte: Metrópoles


Relacionadas
EUA lançam bombardeio contra Irã após helicóptero ser abatido
CCJ da Câmara adia análise da PEC da redução da maioridade penal
CNJ apre processo contra desembargador acusado de crimes sexuais