Estado de SP terá de indenizar mulher que deixou de andar após vacinas

O Estado de São Paulo foi condenado na Justiça a indenizar uma mulher que perdeu o movimento das pernas após tomar múltiplas vacinas em um centro de imunização em Santos, no litoral paulista, em 2017. O caso é anterior à pandemia de Covid.

A enfermeira Maria Luzinete Sabino da Silva deve receber uma pensão vitalícia, além de indenizações por danos morais, estéticos e materiais. O processo transitou em julgado e não cabe mais recurso.

De acordo com os autos, Maria foi até o Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) de Santos em 17 de abril de 2017 para tomar a vacina antigripal.

A mulher retornou à sala de vacinação e foi atendida por duas técnicas, já que a enfermeira estava em horário de almoço e a médica responsável estava de férias.

As profissionais realizaram compressas frias no braço inchado. Maria então sentiu perda de controle dos membros e dificuldade para falar. Ela foi encaminhada ao pronto socorro.

No local, a mulher apresentou piora do quadro, com tremores generalizados, falta de ar, taquicardia, pressão na cabeça e tórax, dislalia e dor intensa no braço direito.

Maria foi então encaminhada ao setor de emergência, onde um eletrocardiograma apontou crise hipertensiva, taquicardia, tremores generalizados e dificuldade para falar.

O médico plantonista imunologista chegou a informar a enfermeira que ela estava sofrendo reação devido à grande quantidade de vacinas aplicadas. O episódio, no entanto, não foi comunicado à Vigilância e a autora não recebeu tratamento adequado, diz a sentença.

O quadro de Maria foi considerado como Acidente Vascular Cerebral (AVC). Ela chegou a recuperar a sensação das pernas, mas não conseguiu mais movimentá-las. A mulher recebeu alta três dias após a aplicação da primeira vacina, e um atestado de 15 dias. Ela retornou ao trabalho após a licença, mas não conseguiu desempenhá-lo

O Metrópoles procurou o governo de São Paulo para comentar o caso, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

Fonte: Metrópoles