O artigo foi escrito pelos pesquisadores Thiago Cerqueira-Silva, London School of Hygiene & Tropical Medicine; Manoel Barral-Netto, Fiocruz e Viviane Boaventura, UFBA, e publicado na plataforma The Conversation Brasil.
Em 2024, o Brasil viveu a maior epidemia de dengue de sua história recente, com cerca de 6,5 milhões de casos prováveis e mais de 5,8 mil mortes registradas no país. Em 2025, houve redução importante, com cerca de 1,6 milhão de casos prováveis até novembro, mas a circulação do vírus permaneceu elevada. Para 2026, as projeções apresentadas pela Fiocruz indicam que a dengue ainda continuará a atingir muitas pessoas no Brasil, com aproximadamente 2 milhões de casos.
A maioria das pessoas infectadas no país apresentou os sinais mais conhecidos da dengue, como febre, dores no corpo, mal-estar e manchas vermelhas. Um número pequeno de pacientes, no entanto, desenvolveu também uma complicação neurológica rara: a Síndrome de Guillain-Barré (SGB). Foi essa associação que examinamos em estudo publicado recentemente na revista científica New England Journal of Medicine.
Nosso estudo analisou dados do Sistema Único de Saúde (SUS) e mostrou que pessoas com dengue têm um risco 17 vezes maior de desenvolver a SGB nas seis semanas seguintes à infecção do que nas seis semanas após esse período. Para chegar a esses resultados, usamos três grandes bases de dados do SUS: hospitalizações, notificações de dengue e registros de óbitos. No total, identificamos mais de 5.000 hospitalizações por SGB entre 2023 e 2024, 89 delas ocorrendo logo após uma infecção por dengue.
A SGB, que ocorre principalmente após infecções, é uma condição rara em que o próprio sistema imunológico ataca os nervos periféricos. Isso causa uma fraqueza muscular que começa nas pernas e pode subir para os braços e rosto. Em casos graves, a pessoa pode ficar completamente paralisada e precisar de ajuda de aparelhos para respirar.
Fonte: Metrópoles






Relacionadas
Coaf deveria ter informado o governo de Goiás, diz Caiado
“Não tenho nenhum piercing, tatuagem, nada. Gosto da ideia de nunca fazer nada disso”, diz atriz Sadie Sink, de Stranger Things
Tenista brasileiro João Fonseca faz história, elimina Djokovic em virada épica e vai às oitavas em Roland Garros