O secretário de Estado americano, Marco Rubio, culpou o presidente da França, Emmanuel Macron, pelo fracasso de negociações com o Hamas, alegando que o reconhecimento unilateral de um Estado Palestino encorajou o grupo terrorista que quer “destruir Israel” e “tirar todos os judeus do Oriente Médio”.
“As negociações com o Hamas desmoronaram no dia em que Macron tomou a decisão unilateral de reconhecer o Estado Palestino”, disse Rubio, em entrevista concedida na quinta-feira, 7, ao jornalista Raymond Arroyo, que apresenta o programa de notícias “The World Over Live”, da EWTN News. “Eles se sentem encorajados”, declarou também.
Como O Antagonista mostrou em 4 de agosto, Ghazi Hamad, um dos porta-vozes do Hamas, declarou à emissora Al Jazeera que “a iniciativa de vários países de reconhecer um Estado Palestino é um dos frutos do 7 de outubro” de 2023, ou seja, dos mais de 1200 assassinatos e 250 sequestros cometidos pelo grupo terrorista durante invasão do território israelense.
Traduzimos o trecho da entrevista sobre o tema.
Leia abaixo:
“PERGUNTA: Vamos falar por um momento sobre o conflito Israel-Gaza-Hamas.
SECRETÁRIO RUBIO: Sim.
PERGUNTA: Parece que Benjamin Netanyahu quer ocupar Gaza, e o Hamas está dizendo que não haverá cessar-fogo, que precisamos de um cessar-fogo e não vamos dar a você esses reféns até que nossos termos sejam atendidos. Qual é a posição dos Estados Unidos em relação a isso? A ocupação de Gaza é o caminho certo a seguir agora? E a crise humanitária?
SECRETÁRIO RUBIO: Bem, deixe-me dizer, em última análise, o que Israel precisa fazer pela segurança de Israel será determinado por Israel.
Posso dizer que a maneira de resolver isso é que há três problemas lá ao mesmo tempo. O número um é aquele que está recebendo quase toda a cobertura da mídia, e esses são os problemas humanitários que estamos vendo lá. E aí ninguém quer ver isso, e os Estados Unidos estão preparados para contribuir com qualquer esforço real que realmente obtenha alimentos e medicamentos e ajuda de suporte à vida para as pessoas no solo em Gaza. Esse é o número um.
O segundo é que há 20 pessoas inocentes sendo mantidas como reféns e famintas dentro de túneis. Infelizmente, não há câmeras diárias lá embaixo cobrindo isso, e então você não vê a grande mídia cobrindo isso – mas há 20 pessoas que nada fizeram de errado que estão sendo mantidas como reféns, e vimos as condições em que elas estão vivendo no outro dia.
E a terceira é que enquanto o Hamas existir – enquanto o Hamas existir, particularmente como uma organização armada – nunca haverá paz em Gaza. Por causa disso, o Hamas não vai mudar de repente e entrar em outra linha de atuação. Sua linha de atuação, sua razão para existir, é que eles querem destruir Israel. Eles querem tirar todos os judeus do Oriente Médio. Esse é o objetivo deles. E enquanto um grupo como esse tiver armas e a capacidade de lutar, eles são uma ameaça à paz.
Então, temos que lidar com todos esses três elementos, não apenas com o humanitário. Isso é importante, mas os outros dois também precisam ser tratados. Não há tempo suficiente – não há atenção suficiente sendo dada a esses dois. E não é fácil, porque o Hamas acha que está vencendo a guerra global de relações públicas. Eles não estão dispostos a fazer concessão alguma.
PERGUNTA: Bem, claramente eles estão ganhando alguma coisa. Seus aliados — Canadá, França, Reino Unido…
SECRETÁRIO RUBIO: Certo.
PERGUNTA: — estão preparados para reconhecer o Estado Palestino lá.
SECRETÁRIO RUBIO: Bem, se você notou, as negociações com o Hamas desmoronaram no dia em que Macron tomou a decisão unilateral de reconhecer o Estado Palestino. E então você tem outras pessoas se posicionando, outros países dizem ‘bem, se não houver um cessar-fogo até setembro, vamos reconhecer um Estado Palestino’. Bem, se eu fosse o Hamas, basicamente concluiria que não vamos fazer um cessar-fogo.
PERGUNTA: Certo.
SECRETÁRIO RUBIO: Porque podemos ser recompensados e podemos reivindicar isso como uma vitória. Portanto, essas mensagens, embora em grande parte simbólicas em suas mentes, na verdade tornaram mais difícil obter a paz e mais difícil chegar a um acordo com o Hamas. Eles se sentem encorajados.
PERGUNTA: Bem, a Liga Árabe não é a favor disso. Quero dizer, claramente a Liga Árabe diz que você tem que tirar o Hamas de lá. Eles precisam largar as armas e seguir em frente.
SECRETÁRIO RUBIO: Correto.
PERGUNTA: Mas você concorda com Netanyahu que isso seria uma recompensa para o Hamas?
SECRETÁRIO RUBIO: Estado?
PERGUNTA: Ao dar a eles a um Estado.
SECRETÁRIO RUBIO: Reconhecimento – seguramente. Olha, o Estado é um… Não é real… o que essas pessoas falam não é real. Eles não podem definir as fronteiras ou quem vai governar. Quero dizer, você não pode ter um Estado, ou mesmo uma região autônoma, a menos que possa identificar quem vai administrá-lo. E se for administrado pelo Hamas, você estará de volta à guerra.
PERGUNTA: Sim.
SECRETÁRIO RUBIO: Então, acho que o que é importante lembrar aqui é que… a propósito, eles tiveram oportunidades de fazer isso. Israel entregou Gaza, entregou completamente, com estufas e todos os tipos de coisas. E eles elegeram o Hamas. O Hamas destruiu, destruiu tudo, levou tudo, construiu túneis em vez de hospitais. É isso que eles fazem. Então, no fim das contas, meu problema com isso é que acredito que essas medidas unilaterais que foram tomadas por esses governos, acredito que – eu sei que – encorajaram o Hamas e dificultaram a obtenção da paz.”
Fonte: O Antagonista


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