Em plena reta final da disputa pelo Palácio do Planalto, o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) conclamou sua base eleitoral a intensificar a atuação digital, mesmo sob o perigo de sanções judiciais. Durante transmissão ao vivo realizada a apenas 13 dias da votação definitiva, o parlamentar pediu que seus seguidores não recuem diante do receio de penalidades nas plataformas virtuais, defendendo que a mobilização requer assumir o risco de ter perfis suspensos ou banidos.
Estratégia de campanha e busca por votos indecisos
Além do enfrentamento aos filtros das redes, o postulante orientou seus eleitores a dispersarem conteúdos em grupos de WhatsApp e compartilharem maciçamente suas transmissões. A diretriz estratégica visa alcançar quem se absteve no primeiro turno, eleitores de outras legendas e o eleitorado ainda indeciso, sob o argumento enfático de que o pleito segue aberto e indefinido.
A convocação foi ampliada para lideranças políticas e personalidades alinhadas ao projeto conservador. Flávio cobrou postura ativa de governadores, parlamentares, influenciadores digitais e artistas de direita, demandando engajamento direto na conversão de votos durante as duas últimas semanas de campanha.
Batalha no TSE envolve canal administrado por Janones
O apelo pela ofensiva virtual ocorre em meio a uma acirrada controvérsia jurídica na Justiça Eleitoral. A campanha de Flávio questiona as atividades do grupo denominado “Exército do Lula”, coordenado no WhatsApp pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) para articular a base de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O caso provocou decisões divergentes no Tribunal Superior Eleitoral. Inicialmente, o presidente da corte, ministro Kassio Nunes Marques, acolheu representação da coligação do senador para intervir no canal. No entanto, o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, reverteu provisoriamente a determinação, garantindo o funcionamento do grupo até que o tema seja votado pelo plenário.
Perícia técnica e divergências sobre o conteúdo
Um parecer elaborado pela assessoria técnica do tribunal indicou que as alegações contestadas pelos advogados de Flávio não foram localizadas nos registros coletados entre 2 e 11 de outubro. O documento ponderou, entretanto, que a exclusão prévia de postagens prejudicou a análise integral do material e que mensagens de setembro e áudios extensos ficaram fora da checagem preliminar.
Enquanto a coordenação de Janones sustenta que a ferramenta serve unicamente para engajar a militância governista, a equipe de Flávio Bolsonaro rebateu a análise técnica do tribunal, garantindo possuir o registro comprobatório das publicações apagadas para dar andamento ao processo.


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