O ministro disse que a reunião, que seria virtual, foi cancelada e ainda não foi remarcada. “Argumentaram que falta de agenda. Uma situação bem inusitada”, disse Haddad, em entrevista para GloboNews nesta segunda-feira (11/8). De acordo com ele, a reunião foi desmarcada via e-mail.
Haddad avaliou que a situação do Brasil é diferente dos outros países que também foram afetados pelas tarifas de Trump. “Porque aqui tem uma força política que está fazendo uma antidemocracia”, disse.
“O Eduardo [Bolsonaro, deputado federal] publicamente deu uma entrevista dizendo que ia procurar inibir esse tipo de contato entre os dois governos, porque o que estava em causa não era a questão comercial, ele deixou claro isso em uma entrevista pública”, afirmou Haddad.
Ainda sobre o deputado federal, Haddad afirmou que se nenhuma medida for tomada pelo Congresso Nacional sobre o comportamento dos seus membros, no que diz respeito aos interesses nacionais, as negociações vão ficar mais difíceis, fazendo uma menção ao filho do ex-presidente, Jair Bolsonaro.
“Como vai ficar? Nós estamos custeando o salário dessa pessoa, todos nós estamos pagando o salário dele. Ele não está trabalhando aqui, não está exercendo o mandato”, disse, ele defendeu também que se cumpra a lei e que os responsáveis por defender retaliações contra o interesse nacional tendo mandato em cargo público respondam por seus crimes.
Sobre a fala do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, questionando uma ação mais direta do governo brasileiro, como uma ligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para Trump, Haddad afirmou que a afirmação do governador é ingênua e não condiz com os processos da diplomacia mundial.
Ele disse, ainda, que está claro para o governo que para os EUA a questão comercial não está em foco. “A cada ação do governo diplomática no sentido de buscar compreender e explicar o funcionamento das instituições brasileiras, dos três poderes, da independência entre os três poderes, que foi respeitada, inclusive, quando o presidente Lula foi alvo de ação judicial”, disse ele, fazendo referencia as citações de Trump sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.
Questionado sobre as negociações e o plano de contingenciamento, Haddad afirmou que os Estados Unidos estão fazendo uma mudança estrutural e mudando as relações bilaterais com o mundo inteiro.
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