AFP – As autoridades francesas ordenaram a prisão preventiva de um britânico por encenar um casamento com uma menina de 9 anos na Disneylândia, informou o Ministério Público nesta terça-feira. O homem de 39 anos, que, segundo o Ministério Público de Meaux, possui antecedentes criminais no Reino Unido por “crimes sexuais contra menores”, é acusado de fraude, abuso de confiança, lavagem de dinheiro e roubo de identidade.
O homem preso tinha um mandado de prisão expedido em seu país por descumprimento de obrigações ligadas ao registro britânico de autores de crimes sexuais, no qual está inscrito, acrescentou Jean-Baptiste Bladier em um comunicado.
“Ele está no registro britânico de criminosos sexuais e é atualmente procurado em nível nacional pelas autoridades judiciais de seu país de origem, por descumprimento das obrigações decorrentes desse registro”, explicou a promotoria.
O tribunal ainda busca esclarecer as circunstâncias deste casamento falso, organizado na madrugada de sábado no parque, a cerca de 30 quilômetros a leste de Paris.
O evento causou comoção. A suposta noiva era uma menina ucraniana de 9 anos e, entre os 100 figurantes contratados, nem todos foram informados de que o casamento não era real, segundo uma fonte policial.
Bladier esclareceu no domingo que a jovem ucraniana, que chegou à França dois dias antes do evento, não sofreu “nenhuma violência, nem física nem sexual” e “não foi forçada a desempenhar o papel” de noiva.
As investigações iniciais revelaram que este “casamento” foi, na verdade, uma cerimônia fictícia destinada a ser filmada para as redes sociais, de acordo com os detalhes fornecidos na época.
O homem desempenhou “o papel de noivo após ser maquiado profissionalmente para mostrar um rosto completamente diferente do seu”, afirmou o Ministério Público no domingo.
O detido teria recrutado cidadãos letões para garantir a organização do evento e 100 figurantes franceses, apresentados como convidados do casamento, indicou esta fonte.
De acordo com o Ministério Público, a Disneylândia foi enganada, pois “o organizador usurpou a identidade de um cidadão letão e usou documentos falsos para obter o contrato de privatização do parque”.
O evento estava programado para ocorrer entre 5h e 7h, fora do horário local de funcionamento do público, “a um custo total de 130.000 euros” (mais de R$ 820 mil, na cotação atual), segundo uma fonte policial.
Mas a Disneylândia Paris afirmou, em um comunicado divulgado à AFP no domingo, que o evento foi “imediatamente cancelado” por suas equipes “após a identificação de irregularidades significativas”.


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