O mercado financeiro brasileiro operou em clima de cautela nesta quinta-feira (15.out.2026), marcado pela aversão ao risco diante do acirramento da corrida eleitoral e da divulgação de dados macroeconômicos no exterior. O dólar comercial avançou 1,17%, cotado a R$ 5,087 no encerramento das negociações, após oscilar entre a mínima de R$ 5,037 e a máxima de R$ 5,099. Em trajetória oposta, o Ibovespa, principal indicador acionário da B3, registrou perda de 1,06%, aos 204.324,26 pontos.
Disputa acirrada no 2º turno e mudanças trabalhistas elevam cautela
Faltando apenas 10 dias para a definição presidencial, a volatilidade tomou conta dos negócios. O pregão refletiu os números da pesquisa Quaest divulgada na noite anterior, corroborando o cenário apontado pelo PoderData na última terça-feira (13.out). O levantamento indicou empate técnico na liderança da disputa: Flávio Bolsonaro (PL) soma 46% das intenções de voto contra 44% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), considerando a margem de erro de dois pontos percentuais.
A aproximação entre os candidatos ocorreu após manifestações de apoio ao petista no fim de semana e ajustes na presença digital da campanha. Diante disso, os investidores mantiveram postura defensiva à espera de uma nova rodada da pesquisa Datafolha e da sabatina do atual presidente no Jornal Nacional, da TV Globo.
Além da arena política, a recente aprovação do fim da escala 6×1 pelo Senado acendeu alertas no setor produtivo. Segundo Lucas Xavier, sócio e chefe da mesa de renda variável da AW Capital, a proposta impõe receios em relação à elevação dos custos operacionais das companhias, com potenciais reflexos negativos na inflação e nos balanços corporativos futuros.
Pressão inflacionária nos EUA afeta fluxo para emergentes
No front internacional, a aceleração dos preços nos Estados Unidos aumentou as incertezas em torno da trajetória dos juros pelo Federal Reserve. O Índice de Preços ao Produtor (PPI) avançou 1,3% em setembro na comparação mensal, bem acima da estimativa de 0,6% do mercado e do resultado de agosto (0,5%). No acumulado de 12 meses, o indicador marcou 6,3%.
A persistência da inflação americana pode manter os rendimentos dos títulos dos EUA em patamares elevados, atraindo capital global e penalizando mercados emergentes, conforme aponta a AW Capital. Apesar do dado, os índices em Nova York encerraram o dia com leves ganhos: o Dow Jones subiu 1,08% (52.177,81 pontos), o S&P 500 teve alta de 0,34% (7.744,81 pontos) e a Nasdaq avançou 0,08% (26.713,03 pontos).
UBS eleva recomendação para a Bolsa brasileira
Em meio às oscilações da sessão, o UBS Global Wealth Management trouxe uma avaliação positiva de longo prazo para os ativos locais, elevando a recomendação de ações brasileiras de neutra para atrativa. A instituição projeta um potencial de alta de 25% para o Ibovespa.
No entanto, a concretização desse cenário favorável dependerá diretamente da redução do prêmio de risco do país e do compromisso do futuro governo em apresentar um plano fiscal sólido e consistente nos próximos meses.



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