Israel rebaixa relações com o Brasil após Itamaraty ignorar indicação de embaixador

O Ministério das Relações Exteriores de Israel anunciou nesta segunda-feira (25) que vai “rebaixar” as relações com o Brasil após o Itamaraty ter ignorado a indicação de um novo embaixador.

Israel havia indicado o diplomata Gali Dagan em janeiro para assumir a embaixada em Brasília. Para exercer a atividade, no entanto, é necessária a concessão de uma autorização do país que o recebe, chamada de “agrément”. Tal autorização é praxe em todas as relações entre países.

Tecnicamente, o Brasil não teria se recusado a conceder o agrément, mas deixou o pedido em análise, sem respondê-lo. Em relações internacionais, a atitude é vista como equivalente a uma recusa.

Israel informou ter retirado a indicação de Dagan e acrescentou que não vai submeter um novo nome ao Itamaraty, declarando que as relações com o Brasil serão conduzidas “em um patamar inferior” diplomaticamente.

Lula persona non grata

Em 9 de fevereiro de 2024, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, declarou que o presidente Lula (PT) seria considerado “persona non grata” no país até que ele se retratasse publicamente por suas declarações, nas quais comparou a ofensiva israelense na Faixa de Gaza ao Holocausto nazista. Segundo Katz, esse tipo de comparação era “um ataque antissemita grave” e “profana a memória” das vítimas do Holocausto.

A declaração ocorreu durante uma visita simbólica ao Yad Vashem, museu do Holocausto em Jerusalém, onde o chanceler israelense mostrou ao embaixador brasileiro, Frederico Meyer, os registros das vítimas do Holocausto — enfatizando o peso da comparação.

Em resposta, o Itamaraty criticou fortemente a medida, considerando-a um movimento diplomático extremo. O embaixador Frederico Meyer foi chamado de volta ao Brasil e, em maio de 2024, foi oficialmente removido da função em Israel e nomeado representante especial na Conferência do Desarmamento, em Genebra. Até hoje, o Brasil está sem embaixador em Israel.