O Ministério das Relações Exteriores do Brasil reagiu com veemência às declarações públicas do presidente da Argentina, Javier Milei, definindo as falas como uma inaceitável tentativa de ingerência externa e uma conduta antidemocrática. A resposta do governo brasileiro foi motivada por publicações nas redes sociais em que o mandatário argentino atacou diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e levantou suspeitas sobre o processo eleitoral do país.
Ataques nas redes sociais e posicionamento do Itamaraty
A crise se acentuou após Milei publicar uma mensagem chamando Lula de “esquerdista ladrão” e afirmando torcer para que a “campanha suja” de opositores não termine em tentativa de “roubar a eleição”. O argentino também escreveu críticas aos progressistas, acusando-os de machismo disfarçado e afirmando que a “máscara desses criminosos está caindo”. Embora o governante argentino não tenha mencionado explicitamente as urnas eletrônicas, o teor do texto foi visto em Brasília como um ataque frontal à legitimidade das votações.
Em nota oficial, o Itamaraty contestou os comentários e afirmou que o chefe da Casa Rosada reproduz teses conspiratórias propagadas por “golpistas derrotados”, em alusão direta aos episódios de 8 de janeiro de 2023 e aos protestos de contestação ao resultado eleitoral de 2022. O comunicado diplomático classificou a conduta como “desequilibrada” e incompatível com o respeito mútuo esperado entre nações amigas, frisando que a soberania brasileira é inviolável e que a decisão sobre os rumos do país pertence exclusivamente aos cidadãos, aptos a votar no próximo domingo, 25.
O agravamento da crise bilateral
O entrevero ocorre em um momento decisivo da disputa política nacional e intensifica o distanciamento formal entre as duas capitais. O Palácio do Planalto não antecipou quais medidas adicionais podem ser adotadas em relação à Argentina diante dos novos acontecimentos.
A tensão diplomática já vinha em escalada desde julho, quando Milei desembarcou no Brasil para prestigiar a convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Naquele evento, o presidente argentino direcionou ofensas a Lula, a quem rotulou de “presidiário”, e atacou o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, chamado por ele de “lixo careca”.
Diante do desgaste crescente, a chancelaria brasileira chamou de volta o embaixador em Buenos Aires, Júlio Bitelli, e cobrou explicações formais do embaixador argentino em território nacional, Daniel Raimondi. O desfecho dessa crise culminou, em agosto, no rebaixamento das relações entre os dois governos: Bitelli permaneceu no Brasil, Raimondi regressou ao seu país e a embaixada da Argentina em Brasília passou a funcionar sob a liderança temporária de um encarregado de negócios.



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