Mais de 1,7 milhão de crianças vivem sem o nome do pai na certidão de nascimento no Brasil

Todo Dia dos Pais é marcado por homenagens, presentes e fotografias em família. Mas, para milhões de brasileiros, a primeira ausência foi registrada muito antes de qualquer comemoração: na certidão de nascimento. Nos últimos dez anos, 1.754.019 crianças foram registradas sem o nome do pai no Brasil, segundo dados da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil). Por trás da estatística, estão histórias marcadas por abandono, conflitos familiares, desconhecimento da paternidade e uma busca por direitos que, muitas vezes, perdura por anos.

No mesmo período, os cartórios brasileiros registraram 27.253.159 nascimentos, o que significa que cerca de uma em cada 16 crianças nasceu sem o nome do pai na certidão.

O levantamento considera os registros realizados entre 2016 e agosto de 2026 e mostra que a ausência paterna registrada em cartório continua sendo uma realidade presente em todas as regiões do País.

Embora o documento seja apenas um papel, o nome do pai na certidão representa muito mais do que um vínculo afetivo. O reconhecimento da paternidade garante à criança direitos fundamentais, como pensão alimentícia, herança, inclusão em plano de saúde, benefícios previdenciários e até o acesso à própria identidade familiar.