O pastor Silas Malafaia manifestou forte irritação com a articulação política dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro em conversas reservadas com aliados. O descontentamento veio à tona após a divulgação de um manifesto elaborado pelo senador Flávio Bolsonaro em Miami, nos Estados Unidos, episódio classificado pelo líder religioso como uma sucessão de erros e amadorismo.
Reação à carta divulgada nos Estados Unidos
Nas mensagens enviadas a pessoas próximas, o líder evangélico não poupou adjetivos depreciativos ao avaliar a postura dos herdeiros políticos do ex-presidente, chamando-os de “jumentos”. Malafaia apontou que o grupo se cerca de conselheiros equivocados, o que resultaria em declarações precipitadas seguidas de correções desastrosas para a imagem da oposição.
O religioso também afirmou que o ex-presidente norte-americano Donald Trump teria se distanciado do parlamentar brasileiro após o ocorrido, reiterando que a condução foi feita por um “bando de amadores babacas”. A controvérsia começou quando Flávio publicou um texto se autodeclarando o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Pouco tempo depois, o senador alterou o documento para “líder do Brasil”, mantendo alegações de inconsistências no pleito eleitoral sem apresentar comprovações.
Contraste entre a defesa pública e os bastidores
O tom inflamado adotado no ambiente privado diverge da postura que o religioso vinha sustentando perante o público. Anteriormente, o pastor havia defendido abertamente o deslocamento de Flávio para os Estados Unidos e chegou a contestar medidas judiciais do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a respeito de passaportes.
O descontentamento, portanto, não partiu da viagem em si, mas sim do conteúdo da carta e da autoproclamação política, considerada uma manobra prejudicial à estratégia da direita.
Questionamentos sobre a votação e histórico de atritos
No texto divulgado na Flórida, o parlamentar também questionou a extensão do horário eleitoral no segundo turno, determinada pelo ministro Cristiano Zanin. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou que cerca de 35 mil cidadãos votaram durante o período suplementar de duas horas, dentro de um total expressivo de 128 milhões de votos em todo o país. O resultado oficial consolidou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, com mais de 64 milhões de votos, frente a cerca de 59,8 milhões atribuídos a Flávio Bolsonaro, com uma margem superior a 4 milhões de votos de diferença.
Esta não é a primeira ocasião em que descontentamentos internos ganham notoriedade. O pastor já havia emitido declarações duras contra o ex-deputado Eduardo Bolsonaro no passado, chamando-o de “babaca” por posicionamentos públicos que, em sua análise, causavam retrocessos estratégicos ao grupo. Embora o desgaste recente evidencie tensões nos bastidores, não há confirmação de um rompimento político definitivo entre as partes.




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