Mc Ryan cobrou até R$ 400 mil por dia para divulgar jogos ilegais

Esta semana, os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo foram presos durante uma operação da Polícia Federal (PF) que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado a jogos ilegais. Poze foi detido em um condomínio de luxo na zona sudoeste do Rio de Janeiro e também em um imóvel de alto padrão em Bertioga, no litoral de São Paulo.

Segundo a PF, os artistas tinham papel relevante no esquema ao disponibilizar contas bancárias que permitiam a circulação de recursos de origem ilícita, misturados a receitas legais, como cachês de shows e ganhos com a música.

A apuração aponta que, além da renda oficial, havia uma fonte paralela de dinheiro vinda de rifas clandestinas e jogos ilegais.Em uma das conversas analisadas, um intermediário negocia valores para divulgação de casas de apostas:

“Eu tenho um cliente aqui que tem uma casa de apostas e queria saber quanto que está para você divulgar a casa dele.”

“Já que é seu amigo, eu cobro R$ 300 mil, mas se não for muito seu amigo, pode falar para ele que é R$ 400 mil.”

O dinheiro não era transferido diretamente ao artista, passando por empresas e intermediários para dificultar o rastreamento.

Dono da ‘Choquei’ recebeu mais de R$ 200 mil para divulgar Ryan

O influenciador goiano e dono da página de fofocas “Choquei”, Raphael Sousa Oliveira, de 31 anos, recebeu R$ 270 mil do funkeiro MC Ryan SP por serviços de publicidade. A informação foi dada pelo advogado Frederico Moreira. Além desse valor, Raphael teria recebido uma transferência de R$ 100 mil de uma pessoa que ele alegou desconhecer, em depoimento à PF.

Raphael foi preso preventivamente, em um condomínio de luxo de Goiânia, na última quarta-feira (15), suspeito de atuar na produção e divulgação de conteúdos favoráveis ao artista e mais dois investigados por lavagem de dinheiro e transações ilegais de mais de R$ 1,6 bilhão.

Entenda a operação

A “Operação Narco Fluxo”, segundo a PF, tem como principal objetivo desarticular uma organização criminosa voltada à movimentação ilícita de valores, inclusive por meio de criptoativos, no Brasil e no exterior. As ações são fruto de investigações anteriores que identificaram a atuação do grupo em esquemas de lavagem de capitais.

De acordo com a corporação, os envolvidos usavam um sistema para ocultar e dissimular os valores, incluindo operações financeiras de alto valor, transporte de numerário em espécie e transações com criptoativos.

Foram cumpridos 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária em endereços localizados nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e no Distrito Federal.