Evandro da Silva Soares
A inteligência artificial não está apenas automatizando tarefas, mas reconfigurando a estrutura da cognição humana ao substituir o pensamento crítico por processos de eficiência algorítmica. O problema não é tecnológico, mas estrutural: passamos a valorizar apenas aquilo que pode ser medido. Como advertiu Charles Goodhart, quando uma métrica se torna objetivo, ela deixa de representar a realidade. No ambiente atual, produtividade, velocidade e volume de entrega passaram a ser fins em si mesmos, ainda que pouco digam sobre a qualidade do pensamento envolvido.
Nesse cenário, as organizações sucumbem ao erro estratégico de priorizar o “valor de superfície”, em detrimento do “valor invisível”, conceitos fundamentais na obra de Rory Sutherland. O primeiro é tangível e mensurável, como tempo, custo, eficiência. O segundo é decisivo, mas difícil de capturar: criatividade, julgamento, experiência e capacidade de compreender o contexto. Ao priorizar apenas o que é mensurável, criamos sistemas eficientes, porém intelectualmente empobrecidos.
Essa lógica é sintetizada na chamada “falácia do vendedor”, que revela como esse erro se materializa no cotidiano. Tome-se o caso da substituição do atendimento humano em vendas por sistemas exclusivamente digitais. A decisão parece racional: reduzir custos e ganhar escala. No entanto, ela atua apenas sobre o que é mensurável. Ignora-se o valor invisível do contato humano que é a capacidade de sugerir melhores escolhas, ajustar produtos ao orçamento do cliente, indicar combinações mais adequadas e gerar confiança. A exclusividade do digital pode, paradoxalmente, reduzir vendas e afastar clientes que buscam orientação. O sistema otimiza o custo, mas perde o relacionamento.
A resistência a essa “eficiência sem pensamento” exige a preservação de espaços para a profundidade cognitiva, exemplificada pelo experimento da Universidade de Cornell (EUA), na qual uma professora substituiu os computadores por máquinas de escrever para impedir o uso de inteligência artificial. O resultado foi revelador: os alunos passaram a pensar mais antes de escrever, a lidar com o erro e a refletir com maior profundidade. O episódio evidencia o ponto central: o maior risco não é perder empregos, mas perder a capacidade de pensar.
O esforço intelectual não deve ser visto como um custo a ser eliminado, mas como o ativo essencial que diferencia a ferramenta da inteligência. Logo, a relevância futura dependerá da escolha entre utilizar a tecnologia para ampliar a cognição ou aceitar sua substituição silenciosa.
A inteligência artificial não está apenas automatizando tarefas, mas reconfigurando a estrutura da cognição humana ao substituir o pensamento crítico por processos de eficiência algorítmica. O problema não é tecnológico, mas estrutural: passamos a valorizar apenas aquilo que pode ser medido. Como advertiu Charles Goodhart, quando uma métrica se torna objetivo, ela deixa de representar a realidade. No ambiente atual, produtividade, velocidade e volume de entrega passaram a ser fins em si mesmos, ainda que pouco digam sobre a qualidade do pensamento envolvido.
Nesse cenário, as organizações sucumbem ao erro estratégico de priorizar o “valor de superfície”, em detrimento do “valor invisível”, conceitos fundamentais na obra de Rory Sutherland. O primeiro é tangível e mensurável, como tempo, custo, eficiência. O segundo é decisivo, mas difícil de capturar: criatividade, julgamento, experiência e capacidade de compreender o contexto. Ao priorizar apenas o que é mensurável, criamos sistemas eficientes, porém intelectualmente empobrecidos. Essa lógica é sintetizada na chamada “falácia do vendedor”, que revela como esse erro se materializa no cotidiano. Tome-se o caso da substituição do atendimento humano em vendas por sistemas exclusivamente digitais. A decisão parece racional: reduzir custos e ganhar escala. No entanto, ela atua apenas sobre o que é mensurável. Ignora-se o valor invisível do contato humano que é a capacidade de sugerir melhores escolhas, ajustar produtos ao orçamento do cliente, indicar combinações mais adequadas e gerar confiança. A exclusividade do digital pode, paradoxalmente, reduzir vendas e afastar clientes que buscam orientação. O sistema otimiza o custo, mas perde o relacionamento.
A resistência a essa “eficiência sem pensamento” exige a preservação de espaços para a profundidade cognitiva, exemplificada pelo experimento da Universidade de Cornell (EUA), na qual uma professora substituiu os computadores por máquinas de escrever para impedir o uso de inteligência artificial. O resultado foi revelador: os alunos passaram a pensar mais antes de escrever, a lidar com o erro e a refletir com maior profundidade. O episódio evidencia o ponto central: o maior risco não é perder empregos, mas perder a capacidade de pensar.
O esforço intelectual não deve ser visto como um custo a ser eliminado, mas como o ativo essencial que diferencia a ferramenta da inteligência. Logo, a relevância futura dependerá da escolha entre utilizar a tecnologia para ampliar a cognição ou aceitar sua substituição silenciosa.
Evandro Soares é oficial da reserva do Exército Brasileiro, advogado, professor universitário e pesquisador na área jurídica, segurança internacional e geopolítica. Autor de livros e artigos voltados para essa área. Exerceu cargos e posições na Administração Pública, bem como atuou em missões internacionais da ONU e da OEA.


Relacionadas
Ex-delegado confia gado ao amigo e acaba assassinado na PB
Empresária de MG é presa por tráfico de drogas em SP
Instagram e Facebook apresentam instabilidade para alguns usuários