Por Dra. Vanessa Portocarrero – CRO-DF 8839
O Brasil é reconhecido internacionalmente pela excelência de sua Odontologia. Nossos profissionais são referência, nossas universidades formam especialistas de alto nível e a Implantodontia nacional figura entre as mais avançadas do mundo.
Mas existe uma contradição que precisa ser discutida.
Enquanto celebramos os avanços da ciência e da tecnologia, milhões de brasileiros ainda convivem com a perda dentária. Muitos perderam a capacidade de mastigar adequadamente. Outros deixaram de sorrir em fotografias. Alguns evitam falar em público. Há aqueles que simplesmente se acostumaram a esconder a boca.
A perda dos dentes continua sendo uma das faces mais cruéis e silenciosas da desigualdade social brasileira.
Durante décadas, criou-se a falsa ideia de que perder dentes faz parte do envelhecimento. Como se chegar à terceira idade sem dentes fosse algo natural. Não é. Nunca foi.
Perder dentes é consequência de doenças bucais, dificuldades de acesso ao tratamento, falta de prevenção e, muitas vezes, abandono. O que deveria ser encarado como um problema de saúde pública acabou sendo tratado como uma fatalidade inevitável.
As consequências vão muito além da estética. A ausência dentária compromete a alimentação, a nutrição, a fala, a autoestima e até mesmo as oportunidades profissionais. Afinal, o sorriso também comunica segurança, saúde e inclusão social.
O mais paradoxal é que vivemos uma era extraordinária para a Odontologia. Nunca tivemos tantos recursos para preservar dentes, reconstruir estruturas perdidas e devolver função e qualidade de vida. A Implantodontia moderna permite resultados cada vez mais previsíveis, seguros e duradouros.
Ainda assim, o Brasil continua convivendo com uma realidade que não combina com o século XXI: pessoas que acreditam que perder dentes é normal.
Não podemos aceitar essa ideia.
Um país que normaliza a perda dentária está normalizando também a perda da autoestima, da qualidade de vida e da dignidade de milhões de cidadãos.
A saúde bucal não pode ser vista como um luxo. Ela faz parte da saúde integral. Faz parte da cidadania. Faz parte da dignidade humana.
Talvez a verdadeira medida do desenvolvimento de uma nação não esteja apenas em sua economia ou em sua tecnologia, mas também na forma como ela cuida do sorriso de seu povo.
Porque quando um país perde o sorriso de milhões de pessoas, todos nós perdemos um pouco junto com ele.
Dra. Vanessa Portocarrero
Cirurgiã-Dentista – CRO-DF 8839
Implantodontia e Reabilitação Oral
Odontologia Hospitalar.


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