17 de janeiro de 2022, 17:22h

Ouça o que diz um piloto brasileiro sobre o ‘calvário’ que é fazer voos para a China

Em meio ao avanço da variante ômicron do Coronavírus, grande parte dos países têm tomado medidas restritivas ao ingresso de estrangeiros, visando proteger seus territórios. Uma das nações que vem adotando práticas duras, e muitas vezes questionadas, é a China.

Nas últimas semanas, chineses e americanos vêm travando uma disputa retórica sobre as medidas de Pequim, que teriam levado ao cancelamento de dezenas de voos de empresas aéreas dos EUA. Por seu lado, a China insiste que nada mudou em suas regras.

O fato é que as regras chinesas são um tanto quanto limitantes.

Relato brasileiro

Em um relato gravado e compartilhado no YouTube pelo comandante brasileiro Rafael Santos, que pilota Boeing 777 numa empresa asiática, ele explica, de forma objetiva, quais as restrições que enfrenta quando opera voos para a China. Em seu exemplo, ele cita as medidas adotadas em Xangai (aeroporto de Pudong) durante um voo cargueiro, ressaltando que cada aeroporto chinês tem suas próprias regras.

Ao longo de quase 6 minutos, ele cita situações como ter que usar roupa descartável de papel, luvas cirúrgicas, máscara e face shield para poder sair da aeronave. Uma vez fora, os tripulantes do voo não podem ultrapassar uma linha vermelha demarcada no chão, enquanto os funcionários do aeroporto, vestidos de hazmat, não entram na aeronave de jeito nenhum.

A própria porta da aeronave só pode ser aberta pelos tripulantes e a comunicação entre pilotos e equipe do solo é feita por um mega-fone ou um rádio-comunicador, com interação mínima.

Por conta do distanciamento, falta de interação e processo mais moroso, ele diz que o descarregamento e carregamento da aeronave está durando cerca de cinco horas, contra cerca de duas horas numa situação normal, no máximo. “Você chega, pousa e só Deus sabe a que horas você sai”, disse.

Em meio a todo esse processo, ele comenta que os tripulantes ficam no avião com a porta aberta, muitas vezes de madrugada sujeitos às variações de temperatura. Um “calvário” como brinca o comandante. Assista ao vídeo completo abaixo.

Rafael Santos também é fundador do canal Teaching for Free, que visa compartilhar conhecimentos e incentivar outras pessoas a ingressarem na carreira aeronáutica.

YouTube video player

Fonte: Aeroin