Não é de hoje que a humanidade busca alívio físico e efeito recreativo nos opiáceos, compostos naturais extraídos da papoula que os sumérios, por volta de 5 000 a.C., já chamavam de “planta da alegria”. Seu látex servia a múltiplos usos, ora para tratamentos terapêuticos, ora para divertir os fundadores da primeira civilização a florescer na Mesopotâmia. Um capítulo fundamental dessa história desenrolou-se milênios depois, no século XIX, quando o isolamento da morfina resultou em uma variante purificada que, pelo alto poder analgésico, revolucionou a medicina.
Nos anos 1950 surgiram as versões sintéticas e semissintéticas, desenvolvidas em laboratório, elevando seu impacto a níveis estratosféricos. Não demoraria para que opioides como a heroína, vastamente consumidos pelos militares em meio à Guerra do Vietnã, começassem a ser contrabandeados do Sudeste Asiático para os Estados Unidos, tomando o vulto de uma epidemia que, em maior ou menor grau, extrapola as fronteiras americanas e assombra o mundo.
Muito se fala hoje do fentanil, indicado em salas de cirurgia para aliviar a dor, mas amplamente consumido de forma ilegal por seu efeito ultrarrelaxante, apesar de tão deletério à saúde. Mas agora é um perigo invisível que se infiltra nas pistas e preocupa autoridades brasileiras — o nitazeno, um opioide sintético que jamais foi aprovado e tem potência até quarenta vezes superior à do fentanil.
Fonte: VEJA


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