Uma docente do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) passou a ser alvo de representações judiciais e administrativas sob a acusação de praticar assédio eleitoral contra estudantes. O caso envolve a servidora pública Ana Paula Brasil, que atua no campus de São Mateus, e mobilizou parlamentares capixabas após episódios de atrito político registrados nas imediações da unidade de ensino.
Ações criminais e pedido de processo disciplinar
O deputado federal Gilvan da Federal (PL-ES) formalizou uma representação criminal contra a educadora. De acordo com o parlamentar, a conduta atribuída à servidora deve ser enquadrada no artigo 301 do Código Eleitoral, dispositivo legal que tipifica como crime o uso de ameaça ou coação para influenciar votos ou posicionamentos políticos.
Além da esfera penal, o deputado anunciou a intenção de exigir a instauração de um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD) perante o Ifes. O congressista argumentou que os ambientes escolares e acadêmicos não podem servir como espaço para militância partidária e reiterou que os estudantes não devem ser submetidos à doutrinação ideológica.
Relatos de coação e queixas no Ministério Público Federal
A controvérsia ganhou força com a circulação de gravações nas redes sociais em que a professora aparece repreendendo jovens que teriam se recusado a aceitar panfletos favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os desentendimentos teriam ocorrido nos arredores das instalações da instituição federal.
O cenário motivou uma segunda investida jurídica, capitaneada pelo deputado estadual eleito Dárcio Bracarense (PL), que acionou o Ministério Público Federal (MPF) e ingressou com denúncias direcionadas à Corregedoria e à direção do Ifes. A medida foi tomada após o parlamentar ser procurado pelos responsáveis de um aluno de 15 anos, que relataram episódios de intimidação contra o adolescente. A docente também teria direcionado ofensas virtuais a estudantes em razão de suas convicções políticas.
Manifestação oficial do Ifes
Diante da repercussão, o Instituto Federal do Espírito Santo declarou que já realizou reuniões com os familiares dos alunos envolvidos para tratar do ocorrido e repassou o caso para os órgãos internos de apuração. Em nota, a instituição frisou que o ato de panfletagem constituiu uma conduta de caráter estritamente individual da professora, sem qualquer respaldo ou vínculo institucional com a entidade de ensino.



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