Suplicy pede investigação sobre sumiço de usuários da Cracolândia

O deputado estadual Eduardo Suplicy (PT) e a vereadora Luna Zarattini (PT) acionaram hoje (21) o Ministério Público de São Paulo para apurar o paradeiro dos usuários de drogas que ficavam na região conhecida como Cracolândia, no centro da capital paulista. Nos últimos dias, foi noticiado, sobretudo na imprensa local, o súbito esvaziamento da área, o que causou desconfiança, já que há anos diversas gestões tentam solucionar a questão.

No despacho, eles argumentam que há um “conjunto sistemático e articulado de denúncias que indicam a ocorrência de graves violações de direitos humanos praticadas por agentes públicos” e que a suspeita é a de que o que está em andamento é um processo de “higienização social”.

Luna e Suplicy pontuam que há diversos relatos denunciando o transporte, em vans, de pessoas em situação de vulnerabilidade social e dependência química, “muitas vezes de forma forçada ou mediante ofertas questionáveis, para bairros periféricos da capital ou até mesmo para outros municípios da região metropolitana, como Guarulhos”.

‘Parece que tem gente que torce pra Cracolândia não acabar’

O secretário Municipal de Segurança Urbana de São Paulo, Orlando Morando atribuiu o esvaziamento da Cracolândia, no centro de São Paulo, observado nos últimos dias, às ações na Favela do Moinho, à procura de usuários por tratamento médico e intensificação das forças de segurança para coibir o tráfico de drogas na região.

Em entrevista à Rádio Eldorado no último dia 15, o secretário disse não considerar o sumiço dos usuários da rua dos Protestantes, local do chamado fluxo, onde costumava ocorrer a venda e o consumo de drogas, algo repentino ou surpreendente.

“Não me causa surpresa a diminuição dos usuários naquele fluxo da Rua dos Protestantes, em todo o entorno. O que não pode ter é uma torcida do contra. Parece que tem gente que torce pra Cracolândia não acabar.”

“Nós não estamos aqui comemorando, não há comemoração, sabemos que é um enorme desafio, isso é uma verdadeira guerra, mas é uma batalha que a prefeitura e o governo do Estado estão vencendo diariamente”, afirma o secretário.

Segundo Morando, dados da gestão municipal apontam que de sábado, 10, até agora, quase 200 usuários de drogas procuraram pelas clínicas terapêuticas do município para ter tratamento médico. O secretário aponta também que as ações do município e do governo na Favela do Moinho refletem na saída de usuários – dentre elas, o uso de cães da GCM na região.