Tragédia nas Maldivas se agrava com sexta morte. Militar que participava da operação de resgate morre de mal súbito

A tragédia que chocou a Itália com a morte de cinco mergulhadores no atol de Vaavu, nas Maldivas, ganhou um novo e dramático capítulo. Um soldado das Forças de Defesa Nacional das Maldivas (MNDF), que atuava na exaustiva operação de busca pelos corpos dos turistas italianos, faleceu neste sábado após sofrer um mal-estar súbito durante uma imersão na caverna subaquática de Thinwana Kandu. Ele chegou a ser resgatado e transportado às pressas para o hospital ADK, em Malé, mas não resistiu.

​O falecimento do militar da Guarda Costeira local evidencia a extrema periculosidade e a complexidade técnica dos trabalhos de resgate na região. Abalado pelo novo incidente, o governo das Maldivas determinou o envio de reforços e novas diretrizes de segurança para as equipes de apoio, que lutam contra o tempo e as condições adversas do oceano.

​Governo suspende licença de iate de luxo

​Diante da gravidade sem precedentes do episódio, o Ministério do Turismo das Maldivas agiu de forma contundente e anunciou a revogação por tempo indeterminado da licença de funcionamento do “Duke of York”. O iate de luxo servia de base para o grupo de cinco turistas italianos que realizavam o cruzeiro de mergulho. A embarcação permanecerá retida até que as investigações sobre as responsabilidades organizacionais e o cumprimento dos protocolos de segurança sejam totalmente esclarecidas.

​Enquanto a diplomacia e as autoridades locais resolvem os trâmites legais, o desafio no mar permanece imenso. Até o momento, apenas o corpo de Gianluca Benedetti, de 44 anos — experiente instrutor de Pádua e líder da expedição —, foi recuperado pelas equipes de resgate. Os corpos dos outros quatro mergulhadores continuam presos no interior do complexo de cavernas, a uma profundidade estimada entre 50 e 60 metros. O mar agitado e as correntes instáveis que atingiram a região chegaram a paralisar os trabalhos temporariamente, mas as buscas foram retomadas em turnos ininterruptos.

​Procuradoria de Roma investiga hipóteses de pânico e falta de oxigênio

​Na Itália, a Procuradoria de Roma abriu um inquérito oficial para apurar as circunstâncias exatas das mortes. Especialistas e médicos hiperbáricos trabalham com duas linhas principais de investigação. A primeira aponta para a desorientação espacial dentro da caverna devido à baixa visibilidade, o que teria levado o grupo a consumir todo o oxigênio dos cilindros antes de encontrar a saída.

​A segunda hipótese, defendida por técnicos de resgate, sugere um trágico “efeito cascata”: um dos mergulhadores teria sofrido uma pane no equipamento ou uma crise de pânico a 50 metros de profundidade, e os outros quatro teriam sacrificado as próprias reservas de gás em uma tentativa desesperada de socorro mútuo. A resposta definitiva dependerá da recuperação dos computadores de mergulho e das câmeras portáteis das vítimas.

Em sinal de apoio, o Ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, confirmou o envio de especialistas italianos em águas profundas para auxiliar as autoridades locais no resgate e na perícia técnica.

 

Fonte: https://comunitaitaliana.com/