Trump defende abater aviões russos que invadirem espaço aéreo da Otan

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou hoje (23) que a Ucrânia pode ser capaz de recuperar todo o território perdido desde o início da guerra. Ele também chamou a Rússia de “tigre de papel” e defendeu que os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) derrubem aeronaves militares russas que invadirem o espaço aéreo da aliança.

A fala de Trump marca uma mudança de tom no discurso do presidente sobre o conflito entre Rússia e Ucrânia. Até então, ele vinha defendendo que os ucranianos cedessem territórios aos russos para encerrar a guerra.

Trump se reuniu nesta terça-feira com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, em Nova York, durante a Assembleia Geral da ONU. Após o encontro, o norte-americano usou as redes sociais para comentar o conflito.

“Depois de conhecer e compreender totalmente a situação militar e econômica da Ucrânia e da Rússia, e de ver os problemas econômicos que isso está causando à Rússia, acredito que a Ucrânia, com o apoio da União Europeia, está em posição de lutar e recuperar todo o território em sua forma original”, escreveu.

Invasão russa do espaço aéreo da OTAN

A recente série de violações do espaço aéreo de países-membros da OTAN pela Rússia elevou o nível de alerta nas fronteiras orientais da aliança e trouxe de volta o risco de uma escalada militar acidental em meio à guerra na Ucrânia.

Na última semana, três caças russos MiG-31 entraram no espaço aéreo da Estônia, sobre a ilha de Vaindloo, no Golfo da Finlândia, permanecendo cerca de 12 minutos sem plano de voo, transponder desligado e sem comunicação com o controle aéreo local. Forças da OTAN, incluindo caças F-35 italianos que integram a missão Baltic Air Policing, interceptaram os aviões e os obrigaram a deixar a área. Foi a quarta incursão russa registrada na Estônia apenas em 2025.

Dias antes, a Polônia já havia relatado uma das mais graves violações aéreas desde o início da invasão russa à Ucrânia: pelo menos 19 drones, supostamente lançados pela Rússia, cruzaram a fronteira polonesa em 10 de setembro. Parte deles foi abatida por caças poloneses e aliados da OTAN.

Além desses casos, Finlândia, Romênia, Noruega, Lituânia e Letônia também reportaram incursões com drones ou aeronaves militares, algumas forçando o fechamento temporário de aeroportos civis na região.

Diante do episódio na Estônia, o governo de Tallinn convocou uma reunião sob o Artigo 4 do Tratado do Atlântico Norte, mecanismo que prevê consultas urgentes quando a integridade territorial ou a segurança de um Estado-membro é ameaçada.

A OTAN classificou as ações russas como “escalatórias” e alertou que tais violações colocam vidas em risco, podendo gerar erros de cálculo de consequências graves. Para reforçar sua resposta, a aliança intensificou operações de vigilância aérea, como a Eastern Sentry, que amplia a prontidão e capacidade de interceptação na região.

Analistas avaliam que Moscou busca testar a unidade da OTAN e a eficácia de sua defesa, aumentando a pressão diplomática e militar sobre países da fronteira leste da Europa. Ao mesmo tempo, cresce o temor de que um incidente aéreo mal interpretado possa desencadear um confronto direto entre forças russas e da aliança.