O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reuniu hoje (14) com o presidente da Síria, Ahmed al-Sharaa, líder islâmico que, até seis meses atrás, era buscado pelo serviço secreto norte-americano por sua ligação com o grupo terrorista Al-Qaeda.
O encontro ocorreu em Riade, na Arábia Saudita, a primeira parada da visita que Trump faz ao Oriente Médio nesta semana. Na terça-feira (13), o presidente norte-americano já havia anunciado o fim de sançoes à Síria, em uma sinalização de aproximação com o novo presidente sírio.
Foi a primeira vez em décadas que os líderes dos dois países, rivais, se encontraram, o que pode marcar, segundo a agência de notícias Associated Press, um ponto de virada para a região, enquanto a Síria luta para emergir de décadas de isolamento internacional.
Al-Sharaa assumiu o governo sírio inteirinamente após a queda em dezembro do ano passado do ditador Bashar Al-Assad, que comandou a Síria por 24 anos.
Os significados da reunião
O encontro de Trump com al-Sharaa representa uma oportunidade fundamental para fortalecer a visão do príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, para o futuro do Oriente Médio, escreve Khashayar Joneidi, correspondente da BBC News.
O colapso do regime de Bashar al-Assad na Síria marcou uma derrota significativa para a República Islâmica do Irã e uma grande oportunidade para a Arábia Saudita conter a influência iraniana no mundo árabe.
No entanto, a simples remoção de Assad não basta para consolidar a posição saudita — e turca — na Síria.
O que ambos os países precisam é de um governo estável sob a liderança de al-Sharaa, capaz de restaurar a segurança, facilitar a recuperação econômica e liderar a reconstrução de um país devastado pela guerra.
O levantamento das sanções americanas de cinquenta anos contra a Síria, supostamente a pedido de Mohammed bin Salman e do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, abre caminho para investimentos sauditas e turcos substanciais no país.
Espera-se que empresas americanas, especialmente no setor de energia, também se beneficiem da abertura.
Segundo Joneidi, o encontro de Trump com al-Sharaa contribuirá muito para garantir legitimidade internacional a um homem que já foi vilipendiado sob seu nome de guerra, Abu Mohammad al-Jolani, devido a seus vínculos passados com a Al-Qaeda.


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