Daniel Vorcaro queria acesso aos fundos de pensão de servidores federais e por isso investiu no filme de Lula e em propinas para
Matéria de capa da Revista Veja desta semana é uma verdadeira bomba atômica na campanha do presidente Lula. É que anexos entregues à Procuradoria-Geral da República (PGR) pela defesa de Daniel Vorcaro, no âmbito das negociações por uma delação premiada, indicam que o ex-controlador do Banco Master teria pago 30 milhões de reais, “por fora”, ao Instituto Lula, gerenciado por Paulo Okamotto, para financiar o documentário Lula, de Oliver Stone, conforme publicou a revista Veja.
Em áudio, o banqueiro contou que o pagamento seria parte das negociações feitas com João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, para conseguir acesso aos cofres de fundos de pensão de servidores federais controlados pelo partido.
Segundo Vorcaro, a aproximação do Master com Vaccari Neto ocorreu por intermédio do então CEO do Master, Augusto Lima, e do ex-líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner.
“O meu então sócio, Augusto Lima, através dos caciques do PT da Bahia, se reuniu com João Vaccari Neto. Nesse primeiro encontro ficou aventado que, para que houvessem votos suficientes para o nosso credenciamento junto aos fundos de pensão do Banco do Brasil, Caixa Asset e Previ, deveríamos fazer os seguintes adiantamentos: um pagamento por fora, ou seja, por espécie, na ordem de aproximadamente 30 milhões de reais para cobrir despesas de um documentário no exterior que estava sendo gravado sobre o Lula, e pagamento de valores ao Instituto Lula”, afirmou o banqueiro.
Propina
João Vaccari Neto também exigiu, conforme Vorcaro, uma taxa de 10% de tudo o que o Master captasse junto aos fundos de previdência de servidores da Caixa, do Banco do Brasil, da Petrobras e dos Correios.
Caso o negócio desse certo, o petismo embolsaria 1 bilhão de reais, e Vorcaro, 9 bilhões de reais.
“Banco do Brasil a gente estruturou isso com ele [Vaccari]. É… O Augusto adianta ali para o Okamotto do Instituto Lula… E aí tem o negócio do filme também. O cara [Vaccari] pede para colocar dinheiro no filme do Lula”, disse Vorcaro no anexo enviado à PGR.
Impressionado com a revelação, o interlocutor de Vorcaro no áudio comparou a situação com o caso Dark Horse, no qual o banqueiro pagou mais de 60 milhões de reais para produzir filme sobre Jair Bolsonaro.
Mas Vorcaro discordou, dizendo que colocou até mais dinheiro no filme sobre Lula.
De acordo com o ex-controlador do Master, o dinheiro que financiou o documentário de Oliver Stone foi “por fora, foi errado”.
“O filme do Lula eu coloquei acho que até mais (que o filme de Bolsonaro). Eu acho que dá até mais. Só que o do Lula foi por fora, foi errado. O do Flávio não foi, porque foi patrocínio, foi patrocínio normal”, afirmou.
Padilha e Noleto no esquema
Vorcaro acusou ainda o então ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, Alexandre Padilha, o então secretário-executivo da pasta, Olavo Noleto, e mais dois operadores ligados à dupla de terem participado do esquema.
“No fim de 2023 e início de 2024, formei uma equipe interna no Banco Master para captação institucional junto a novos produtos financeiros através dos fundos de pensão do Governo Federal… Com isso, eu logo passei a receber propostas espúrias [‘as mordidas’] de políticos e emissários desses”, disse o banqueiro.
Vorcaro afirmou partiu para a abordagem junto aos presidentes dos fundos estatais no primeiro semestre de 2024, por intermédio de um operador petista identificado como “Júlio”.
Mensagens encontradas pela Polícia Federal indicam que Júlio apresentou o banqueiro a Olavo Noleto, braço direito de Padilha no Planalto.
Estabelecida a propina “de 10% de tudo o que o banco captasse”, Júlio começou a atuar a favor de Vorcaro.


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