O pesquisador Luciano Moreira foi reconhecido como uma das dez pessoas que moldaram a ciência em 2025 nesta segunda-feira (8). A lista é publicada anualmente pela revista Nature, considerada a mais influente do mundo na área científica.
Se o nome dele ainda não era familiar para muitos brasileiros, a tendência é que isso mude rápido. No Brasil, ele lidera uma iniciativa que já vem reduzindo — e, no futuro, pretende eliminar — doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, como dengue, zika e chikungunya.
No laboratório, ao longo de 17 anos de pesquisa, ele descobriu como criar uma versão do mosquito “turbinada” com uma bactéria chamada Wolbachia (a mesma que está naquela mosquinha da banana, por exemplo). Com ela, o vírus não consegue se proliferar no mosquito, fazendo com que ele seja quase inofensivo para nós, humanos.
Moreira conta que desde pequeno se interessava em achar soluções e que pensava na possibilidade de conseguir trazer algum benefício para a sociedade. O pensamento e os insetos o seguiram até a UFV (Universidade Federal de Viçosa), em Minas Gerais, onde começou a estudar controle biológico de pragas florestais. Formado engenheiro agrônomo, dedicou seu mestrado à mesma área.
Depois de fazer parte do doutorado na Holanda, voltou ao Brasil e encontrou uma situação crítica de bolsas para pesquisa. Surgiu, nesse ínterim, um convite para um pós-doc em Cleveland, nos Estados Unidos, na Universidade Case Western Reserve. E foi ali que começou o contato mais próximo com mosquitos e malária. A pesquisa buscava genes de mosquito que conseguissem bloquear o plasmodium, parasita que causa a doença.
Lista da Nature
A Nature ressalta que a lista, publicada desde 2011, não é um prêmio ou um ranking, e sim uma forma de contar a história de importantes marcos científicos e de quem participou deles. Antes, já apareceram na lista os brasileiros Celina Maria Turchi Martelli (2016), Ricardo Galvão (2019), Tulio de Oliveira (2021) e Marina Silva (2023).






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