Um piloto sobrevoou recentemente uma das quedas-d’água mais imponentes da América do Sul: Kaieteur Falls, localizada no coração da Guiana. O rio Potaro, que até então corre tranquilo, despenca em um único salto de 226 metros — quase cinco vezes a altura do Niagara. Com fluxo médio de 23.400 pés cúbicos de água por segundo, a catarata cria uma névoa permanente e um impacto sonoro que domina a floresta ao redor.
Kaieteur não é apenas uma maravilha natural. Para os povos Patamona, carrega uma lenda: o chefe Kai teria se sacrificado nas águas para proteger seu povo, e o nome da queda mantém viva essa memória histórica. Descoberta para o mundo ocidental em 1870 pelo geólogo Charles Barrington Brown, o acesso à região segue restrito: visitantes chegam apenas por pequenos aviões partindo de Georgetown e percorrem trilhas até miradouros estratégicos.
O ecossistema em torno da queda é igualmente singular. Bromélias gigantes abrigam poças de água que sustentam o golden rocket frog, espécie endêmica da região. Criado em 1929, o Kaieteur National Park protege este habitat raro e mantém a paisagem praticamente intocada, recebendo apenas alguns milhares de visitantes por ano.
Especialistas destacam que, em termos de imponência, Kaieteur se diferencia de outras cataratas famosas. Niagara tem caráter urbano; Victoria é uma cortina contínua; Kaieteur é um salto único, isolado, onde a natureza ainda dita suas próprias regras. As imagens capturadas pelo piloto registram não apenas um fenômeno geográfico, mas também a preservação de um dos ambientes mais remotos e preservados da Amazônia.
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Jornal Cinforme


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