Segundo pessoas com conhecimento do procedimento, a servidora afirmou que não realizou a consulta apontada pelos sistemas e apresentou documentos para demonstrar que, no dia e horário indicados, estava em atendimento presencial a um contribuinte na agência da Receita onde trabalha, no Guarujá, litoral de São Paulo.
Mesmo após essas explicações, ela foi surpreendida na terça-feira de Carnaval por policiais da PF, que cumpriram mandado de busca e apreensão em sua residência.
Objetos pessoais foram recolhidos e, por determinação judicial, a servidora passou a usar tornozeleira eletrônica, foi afastada do cargo e impedida de acessar os sistemas do Fisco.
Em depoimento à PF, Ruth Machado dos Santos respondeu a seis perguntas encaminhadas pelo Supremo Tribunal Federal.
Durante cerca de 40 minutos, ela reiterou que não acessou dados cadastrais de Viviane Barci e que jamais compartilhou login ou senha com terceiros.
Afirmou ainda que possui registros do atendimento realizado no momento do suposto acesso, incluindo informações cadastrais do contribuinte que estava sendo atendido.
A Receita Federal informou ao STF que houve consultas a dados como CPF, filiação e data de nascimento da advogada, além de informações eleitorais. A servidora nega ter feito qualquer uma dessas pesquisas.
A defesa sustenta que Ruth tem quase 32 anos de serviço público, nunca respondeu a sindicância, procedimento disciplinar ou investigação administrativa e sempre atuou em funções técnicas.
Em nota, os advogados afirmam que ela não possui vínculo político-partidário, não tem histórico de militância e que confia no esclarecimento dos fatos.
O caso faz parte de um inquérito que apura possível acesso e vazamento de informações sigilosas de ministros do STF e de seus familiares. A investigação foi aberta a partir de auditoria interna solicitada pelo próprio Supremo, no contexto do inquérito das fake news.
Além de Ruth, outros três servidores também são investigados.
A Receita informou que seus sistemas são integralmente rastreáveis e que a auditoria ainda está em andamento. O relatório final deverá ser encaminhado ao STF até o fim do mês.
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