Ex-premiê de Bangladesh que caiu após protestos é condenada à morte

A ex-primeira-ministra de Bangladesh Sheikh Hasina foi condenada hoje (17) à morte por crimes contra a humanidade. Em um julgamento que se arrastou por meses, Hasina foi considerada culpada por ordenar uma violenta repressão a manifestações de estudantes no ano passado.

Segundo a ONU, cerca de 1.400 pessoas morreram, a grande maioria pelas Forças Armadas do país. O Tribunal bangladense de Crimes Internacionais, que julgou o caso, disse entender que Hasina ordenou diretamente que os militares atirassem contra os manifestantes, o que constitui, ainda segundo o tribunal, um crime contra a humanidade.

Protestos

A principal motivação dos protestos estudantis em 2024, que tomaram as ruas de Bangladesh, foi um sistema de cotas do governo que estabelecia que um terço dos empregos governamentais seriam reservados para parentes de veteranos da guerra de independência do país contra o Paquistão em 1971.

A repressão desencadeou o episódio conhecido como “Massacre de Julho”,  com cerca de 1.400 mortos. O assassinato de Abu Sayed, estudante da Universidade Begum Rokeya, tornou-se símbolo da brutalidade estatal.

O manifestantes, então, deixaram de pedir apenas mudanças no sistema de cotas e passou a exigir a renúncia imediata de Hasina, que enfrentou crescente pressão interna e internacional. Diante da escalada da violência e da crise política, a premiê acabou deixando o cargo.