Fraude no INSS: PF indicia deputada federal Gorete Pereira

PF indicia deputada federal Gorete Pereira por suspeita de fraudes no INSS

A deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE) foi formally indiciada pela Polícia Federal sob a acusação de integrar um esquema de descontos indevidos em pensões e aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As conclusões fazem parte da Operação Sem Desconto, que reuniu indícios de crimes de lavagem de capitais, associação criminosa e estelionato qualificado contra o sistema previdenciário, envolvendo um total de 29 pessoas.

Repasses milionários e tráfico de influência

As apurações policiais apontam que pessoas ligadas à parlamentar e firmas de fachada administradas por intermediários movimentaram ao menos R$ 11 milhões. Segundo as investigações, a congressista atuaria como peça-chave nas articulações institucionais, exercendo pressão e influência política junto à cúpula do órgão previdenciário para destravar e blindar convênios com entidades que aplicavam cobranças ilegais sobre a folha de pagamento dos beneficiários.

Campanha com medidas cautelares e cenário eleitoral

A situação jurídica de Gorete Pereira teve desdobramentos significativos antes do pleito recente. Em março, a PF e o Ministério Público Federal chegaram a solicitar a prisão preventiva da parlamentar. No entanto, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), optou por determinar medidas alternativas, incluindo o monitoramento por tornozeleira eletrônica, autorizando posteriormente seus deslocamentos pelo território cearense para atos de campanha.

Durante a corrida às urnas, a emedebista contou com o suporte público do governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), figurando em propagandas conjuntas no contexto da aliança entre PT e MDB no estado. Gorete somou 3,6 mil votos, número insuficiente para a reeleição direta, mas exerce o mandato em Brasília na condição de suplente do deputado federal licenciado Yury do Paredão (MDB-CE).

Manifestação dos advogados

A defesa técnica da deputada, conduzida pelo advogado Waldir Xavier, informou que ainda aguarda a notificação formal sobre o relatório de indiciamento e que, por essa razão, prefere não detalhar os autos. A equipe jurídica reforçou, contudo, a convicção de que todas as ações e decisões tomadas pela parlamentar ocorreram dentro da mais absoluta legalidade.