STF: Gilmar e Moraes articulam apoio na Corte e no Congresso

Contra isolamento, Gilmar e Moraes procuram apoio

Diante do avanço conservador no Legislativo e de crescentes atritos internos, os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes colocaram em prática uma articulação em duas frentes. O objetivo da dupla é construir pontes políticas no Congresso Nacional e, simultaneamente, frear o desgaste entre os próprios pares no Supremo Tribunal Federal (STF).

Pressão parlamentar e avanço da oposição

O resultado das urnas em 4 de outubro alterou o equilíbrio de forças em Brasília e aumentou a preocupação dos magistrados. A composição resultante das eleições fortaleceu a ala favorável à abertura de processos de impeachment contra integrantes da Suprema Corte, somando ao menos 49 parlamentares inclinados a apoiar pedidos de destituição, ainda que sob determinadas condições.

Nos bastidores, o grupo liderado por Gilmar admitiu a expansão da direita após constatar erros em suas projeções originais. A avaliação prévia apostava que o presidente Lula lideraria com margem apertada em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e previa a eleição de ao menos um senador do campo progressista nos colégios eleitorais de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro — cenários que não se concretizaram.

Clima de tensão e desconforto no plenário

No front interno da Corte, a movimentação dos magistrados visa estancar um incômodo que ultrapassa divergências pontuais. O foco das turbulências está ligado aos desdobramentos do escândalo envolvendo o Banco Master, processo sob a relatoria do ministro André Mendonça.

O mal-estar institucional alcançou inclusive magistrados de posicionamento independente, fora da órbita de Mendonça. A iniciativa de Moraes e Mendes foi descrita por um de seus colegas de tribunal como uma tentativa evidente de estruturar “salvaguardas” para evitar um isolamento institucional.

Estratégia inicial aposta no diálogo institucional

Para contornar o cerco político, a prioridade adotada pela dupla é a abertura de conversas pragmáticas com parlamentares da oposição. Apesar de priorizarem a via conciliatória no primeiro momento, ambos deixam em aberto a possibilidade de endurecer a postura institucional caso a pressão do Congresso sobre o tribunal continue a escalar.