Metanol: Polícia prende principal fornecedor de material para adulteração de destilados

Um homem apontado pela polícia como um dos principais fornecedores de materiais para a produção de destilados adulterados foi preso nesta sexta-feira (3) na Zona Norte de São Paulo. Em dois imóveis, estavam armazenados dezenas de itens para produzir as falsificações. A identidade do suspeito não foi divulgada.

De acordo com policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), as investigações apontaram que o homem comercializava desde garrafas, tampas, rótulos, caixas para embalar até os selos arrecadadores de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) da Receita Federal falsificados para aplicar nos vasilhames.

As investigações revelaram que o detido criou uma rede para comprar garrafas de uísque, vodca e gin. Era responsável pela lavagem dos vasilhames e, na sequência, pela recolocação de rótulos falsificados, tampas, selos de autenticidade e todos os itens para compor embalagens similares às originais.

A Polícia Civil de São Paulo investiga se o metanol foi usado na higienização de garrafas de bebida em meio aos casos de intoxicação pelo produto registrados nos últimos dias. Esta é a principal linha de investigação das autoridades.

Vítimas

A crise de intoxicação por metanol em bebidas adulteradas tem gerado um alerta de saúde pública e vitimou principalmente jovens adultos em diferentes estados brasileiros. O estado de São Paulo acumula o maior número de ocorrências, com 22 casos entre suspeitos e confirmados.

Deste total, sete casos já foram confirmados por ingestão da substância tóxica. As autoridades paulistas investigam cinco mortes suspeitas, sendo que um óbito já foi confirmado como resultado da contaminação na capital. Em Pernambuco, três suspeitas de intoxicação por metanol foram registradas. Dois deles vieram a óbito, enquanto o terceiro recebeu alta com perda de visão bilateral como sequela.

A substância, que é incolor e inodora, leva a sintomas traiçoeiros que se assemelham a uma ressaca comum, como náuseas, vômitos e tontura. Contudo, entre 6 e 24 horas após o consumo, surgem sinais graves, como visão turva e cegueira, que pode ser irreversível.

Entre as vítimas conhecidas está um jovem da região da Cidade Dutra, zona Sul de São Paulo, que ingeriu um gin importado adulterado em uma reunião de amigos.

Após a confraternização, ele passou mal, descrevendo que “Tá tudo rodando e parece que eu tô com a pressão baixa”. Ele segue hospitalizado há cerca de um mês, tendo entrado em coma e precisado de ventilação mecânica e hemodiálise após gritar que estava cego.