No poder desde 2007, ditador Daniel Ortega anuncia fim das eleições na Nicarágua

O ditador da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou que o país não realizará mais eleições. A decisão elimina a possibilidade de uma disputa eleitoral quando seu mandato terminar, em 2027, e consolida ainda mais o governo que ele divide com sua esposa. Ortega, que está no poder desde 2007 — após um primeiro mandato presidencial na década de 1980 —, afirmou que a medida fechará qualquer caminho para a oposição, embora não tenha explicado como ela será implementada.

Os crimes atribuídos ao regime

Investigações do Grupo de Especialistas em Direitos Humanos sobre a Nicarágua, da ONU (Organização das Nações Unidas), apontam que as violações cometidas pelo governo Ortega não são abusos isolados, mas sim crimes contra a humanidade generalizados e sistemáticos, direcionados contra a população civil por motivos políticos. Entre as principais acusações estão:

1. Execuções extrajudiciais

Agentes da Polícia Nacional e grupos paramilitares pró-governo realizaram ações violentas para reprimir os protestos civis iniciados em 2018. Segundo investigações, a repressão resultou na morte de mais de 300 pessoas.

2. Tortura sistemática

Presos políticos e opositores foram submetidos a espancamentos, simulações de afogamento, privação de sono e abusos psicológicos em prisões controladas pelo regime. Relatórios também documentam o uso de violência sexual e estupro como forma de coerção.

3. Prisões e detenções arbitrárias

O regime utilizou o sistema de Justiça para prender cidadãos que contestavam o governo. Em 2021, os sete principais pré-candidatos à Presidência foram detidos antes das eleições, impedindo que disputassem o pleito.

4. Apatridia forçada (perda da cidadania)

O governo retirou a nacionalidade de mais de 300 nicaraguenses, entre intelectuais, jornalistas e ativistas, forçando-os ao exílio. Os atingidos também tiveram documentos anulados e bens confiscados pelo Estado.

5. Perseguição religiosa

O regime fechou dezenas de rádios católicas, proibiu procissões religiosas, confiscou universidades jesuítas e prendeu ou expulsou do país bispos, padres e freiras sob acusações de “terrorismo”, amplamente contestadas por organizações internacionais de direitos humanos.