Sérgio Ballerini#
Equipamento obrigatório em veículos pesados, o tacógrafo — termo popular para o cronotacógrafo — é essencial para a segurança no trânsito, a fiscalização de jornadas e a prevenção de acidentes nas rodovias brasileiras.
Em meio ao tráfego intenso dos grandes centros urbanos e às longas jornadas do transporte rodoviário brasileiro, há um equipamento discreto, mas fundamental, para a segurança de todos: o cronotacógrafo. Popularmente conhecido como tacógrafo, esse dispositivo é considerado a “caixa preta” dos veículos pesados — registrando dados cruciais que salvam vidas, promovem justiça e ajudam a prevenir tragédias.
Instalado em veículos de transporte de passageiros com mais de dez lugares, caminhões com peso bruto acima de 4.536 quilos e veículos escolares, o cronotacógrafo registra, de forma inviolável, informações como velocidade, tempo de direção, paradas, distâncias percorridas e intervalos de descanso. São dados que permitem a fiscalização do cumprimento da jornada de trabalho dos motoristas e auxiliam na investigação de acidentes, funcionando como uma testemunha silenciosa quando o condutor não pode mais falar.
Mais do que um instrumento técnico, o tacógrafo é um aliado da vida. Em um país onde motoristas enfrentam longas jornadas, pressões logísticas e, por vezes, ausência de fiscalização efetiva, o equipamento se torna uma ferramenta indispensável para o cumprimento de leis como a Lei dos Caminhoneiros, que determina 11 horas de descanso por dia.
Além da segurança, o tacógrafo tem papel relevante na defesa do motorista autônomo, registrando, inclusive, o tempo de espera em locais de carga e descarga — um dado essencial para garantir remuneração justa e condições dignas de trabalho a esses profissionais muitas vezes invisibilizados.
O impacto positivo do equipamento não se limita às rodovias. De acordo com estudos que envolvem a Polícia Rodoviária Federal, o INMETRO e o ASMETRO-SI, o uso do cronotacógrafo gera uma economia anual estimada de R$ 8 bilhões para o país, reduzindo acidentes, custos hospitalares e ações judiciais. Ao mesmo tempo, movimenta uma cadeia produtiva que emprega mais de 5 mil trabalhadores diretos em cerca de 800 empresas de verificação e manutenção.
Diante disso, causam preocupação iniciativas como o Projeto de Lei nº 4.852/2024, que propõe eliminar a obrigatoriedade do uso do cronotacógrafo em determinados veículos. A aprovação dessa medida significaria um retrocesso grave para a segurança viária, afetando diretamente a fiscalização nas estradas e a proteção dos profissionais do volante.
O cronotacógrafo não é apenas uma exigência técnica: ele é um símbolo de responsabilidade e compromisso com a vida. Enfraquecer sua aplicação é ir na contramão de tudo o que o Brasil precisa para reduzir acidentes, garantir a saúde dos trabalhadores e tornar o trânsito mais seguro e eficiente.
É hora de reafirmar esse compromisso.
O tacógrafo é um aliado silencioso — ele não fala, mas registra tudo. E é justamente por isso que ele salva vidas.
#Sérgio Ballerini: Analista Executivo em Metrologia e Qualidade, Administrador e Mestre em Sistemas de Gestão pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Servidor público federal aposentado, atualmente exerce o cargo de Secretário-Geral do ASMETRO-SI e é Coordenador do projeto “Lucro Social: Ferramenta de Negociação e Transparência no Setor Público”. Exerceu os cargos de Diretor de Metrologia Legal e Diretor de Normalização no Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), Diretor-Presidente da DATAMEC S/A – Sistemas e Processamento de Dados e Diretor de Administração da Fundação de Tecnologia Industrial – FAENQUIL/USP.





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