A Justiça Federal em São Paulo manteve nesta quarta-feira (4) a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e determinou que ele seja encaminhado diretamente ao sistema prisional estadual após a audiência de custódia realizada na capital paulista. O cunhado dele, Fabiano Zettel, teve a mesma destinação definida. Ambos serão levados ao Centro de Detenção Provisória (CDP) 2 de Guarulhos, na Grande São Paulo.
As prisões aconteceram como parte da terceira fase Operação Compliance Zero, que, segundo a Polícia Federal (PF), tem o objetivo de investigar a “possível prática dos crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa”. Com a decisão, Vorcaro e Zettel não retornaram à Superintendência Regional da PF, onde estavam após serem presos na manhã desta quarta em uma investigação que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras.
PF aponta que Vorcaro ocultou R$ 2,2 bilhões em conta no nome de seu pai
A PF afirmou, no pedido de prisão preventiva apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que o banqueiro Daniel Vorcaro ocultou mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta bancária em nome do pai, Henrique Moura Vorcaro, mesmo após ter sido solto no fim de 2025. O pedido foi acolhido pelo ministro do STF André Mendonça, que autorizou nova ordem de prisão no âmbito do caso do Master.
Segundo o documento, a PF sustenta que o risco de fuga de Vorcaro permanece elevado, citando a existência de “jatos privados” à disposição do investigado e um “extenso patrimônio no exterior, inclusive em paraísos fiscais”.
Grupo no WhatsApp
Além da ocultação do dinheiro, diálogos de Vorcaro constam na decisão do ministro André Mendonça que autorizou nova prisão do banqueiro. Segundo o magistrado, os diálogos indicam tentativas de monitoramento, intimidação e ameaça contra pessoas consideradas adversárias do grupo investigado.
As conversas foram feitas em um grupo de WhatsApp, denominado “A Turma”, que tinha a função de coordenar as atividades de intimidação. O líder do grupo no WhatsApp é o agiota Luiz Phillipi Mourão, que também foi preso.
Em uma das mensagens, Vorcaro pede ao grupo para forjarem um assalto contra o jornalista Lauro Jardim, da Globo, e “quebrar todos os dentes”. Em outra, Vorcaro pede diretamente a Mourão, que era chamado pelo apelido de “Sicário”, para “moer” uma empregada que o estaria ameaçando: “Empregada Monique me ameaçando. É mole? Tem que moer essa vagabunda.” Mourão, então, pergunta: “O que é para fazer?”. Ele responde: “Puxa endereço tudo”.






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